A Chance de Fahim (2019) – Crítica

Forçado a fugir de Bangladesh, sua terra natal, o jovem Fahim (Assad Ahmed) e seu pai deixam o resto da família e partem para Paris. Após a sua chegada à França, eles começam uma verdadeira maratona de obstáculos para obter asilo político. Graças ao seu talento com xadrez, Fahim conhece Sylvain (Gérard Depardieu), um dos melhores treinadores da França. Quando o campeonato francês começa, a ameaça de deportação pressiona Fahim e seu pai. O jovem enxadrista tem apenas uma opção para continuar no país: Ser campeão.

Às vezes é preciso lembrar que um jogo de xadrez representa uma batalha, com cada rei trazendo seu exército para o tabuleiro, almejando matar o rei do lado oposto. Em determinado momento de A Chance de Fahim, o personagem de Gérard Depardieu, o professor Sylvain, diz ao pequeno Fahim (Assad Ahmed) que o xadrez é, na verdade, uma batalha entre duas mentes. E é isso que o filme se mostra ser também.

A Chance de Fahim não é apenas uma batalha entre o pequeno garoto bengali e o professor. Mas são vários os pequenos confrontos, seja entre Fahim e seu pai, entre a equipe de xadrez mais rica e os colegas de Fahim, entre Sylvain e Mathilde (Isabelle Nanty), e, obviamente, entre os franceses e os refugiados. São dualidades que não são apresentadas em lados opostos do tabuleiro, mas que estão ali demarcando e costurando as relações entre os personagens.

O objetivo destes conflitos não é ter um lado vencedor, mas sim um entendimento e cumplicidade entre eles. Ou seja, um empate, como o próprio personagem de Depardieu diz ser tão importante no xadrez, e que pode garantir a vitória em um campeonato na somatória dos pontos.

O longa é baseado na história real de Fahim Mohammad, que fugiu de Bangladesh para a França com o pai (enquanto o resto da família ficou na Ásia) e pediram asilo no país europeu. A Chance de Fahim encurta o período que os dois passaram na Europa. Uma solução simples e fácil para o roteiro, agilizando a jornada até o campeonato nacional e que dá a oportunidade de agrupar os conflitos no clímax da competição. O roteiro se utiliza até da artimanha trivial de rivais diretos para Fahim e Sylvain para tornar a narrativa mais costumeira.

A história, que tem em sua base um tema complexo, é mostrada de uma forma ingênua e leve. Porém, ao mesmo tempo em que a ingenuidade e o olhar infantil tornam o filme mais leve, eles acabam se tornando uma fraqueza do longa, que não se arrisca nem se desafia, com escolhas simples de câmeras e diálogos didáticos. Inclusive a questão dos refugiados é apresentado de forma superficial por grande parte do filme, mesmo este sendo o motivo que chamou atenção para essa batalha na vida real.



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