A Verdade em Segredo – Crítica

O uso de crimes de guerra {como} tecido de fundo para thrillers políticos não é uma grande novidade em Hollywood. Nos últimos dez anos, por exemplo, A Hora Mais Escura (2012) e The Post (2017) exploraram, de ângulos diferentes, as ações do tropa americano em solo estrangeiro e suas consequências depois a divulgação para o público. Tentando embarcar no relativo sucesso do gênero – e com o base de Jamie Lee Curtis – A Verdade em Sigilo tenta em vão reproduzir a atmosfera dos filmes de Kathryn Bigelow e Steven Spielberg.

O filme acompanha Libb (Tika Sumpter), uma paranoica ex-conselheira de segurança pátrio da vice-presidente dos Estados Unidos, que caiu em desgraça depois o governo autorizar um ataque atômico a Homs, pequena cidade na Síria. Quatro anos depois, a moça se torna professora no curso de Política Exterior em uma respeitada universidade, chamando a atenção de Martin (Ben Tavassoli), que a persegue e vigia sempre que pode.

A trama da mesma forma mostra flashbacks do período de Libb na Moradia Branca, trabalhando ao lado de Adrian (Jeff Hephner), que nunca tem seu posto totalmente especificado, na geração de um motivo plausível e sem furos que justifique o ataque militar. Embora os flashbacks sejam uma tentativa de realizar a narrativa seguir a máxima cinematográfica do “mostre, não fale”, suas curtas cenas não têm muitas informações e servem pouco para estribar a narrativa.

Na veras, praticamente todo o roteiro de A Verdade em Sigilo sofre por falta de desenvolvimento. A paranoia de Libb, que a leva a mudar de fechaduras e sistemas de rebate a cada semana e viver sem celular ou e-mail, nunca é explicada. Já Martin, que até o segundo ato parecia unicamente um rapaz obcecado por sua professora, tem todas as suas razões jogadas em um diálogo expositivo e muda sua personalidade entre uma cena e outra.

Esse desenvolvimento malfeito unificado às atuações pouco inspiradas dos atores principais tornam o suspense quase em uma comédia não-intencional, com reta ao estudante despistando com facilidade agentes federais treinados e Libby sobrevivendo a dois atropelamentos seguidos sem um arranhão sequer.

Nem mesmo as curtas aparições preguiçosas de Jamie Lee Curtis, que normalmente consegue vangloriar a qualidade de qualquer cena, são capazes de tirar o filme do marasmo. A atriz passa longe de seu brilhantismo habitual e sua presença {como} opositor nunca é realmente sentida ao longo dos mais de 100 minutos de filme.

Diretor e roteirista de A Verdade em Sigilo, Joe Chappelle (Halloween 6) prejudica demais seu próprio longa com suas escolhas de retrato. Ao mesmo tempo em que não traz {nada} de novo em tomadas de perseguição ou momentos de suspense, o cineasta ainda cobre o filme com um filtro cinzento e {frio} que tira qualquer emoção que as cenas tentam passar.

Talvez por entender o tédio do próprio roteiro, Chappelle encerra o longa com uma reviravolta ineficaz, criada unicamente para incubar. Diferentemente de outros grandes plot-twists do cinema, os momentos finais não se apoiam em nenhum outro momento de A Verdade em Sigilo e revoltam mais do que surpreendem.

Completamente preguiçoso, o longa pouco faz para justificar a atenção do testemunha. Perdido com um roteiro problemático e atuações sem emoção, o tempo gasto para ver o filme seria melhor aproveitado assistindo qualquer outra produção do gênero.

A Verdade em Sigilo

An Acceptable Loss

A Verdade em Sigilo

An Acceptable Loss

Ano: 2018

País: Estados Unidos

Classificação: 16 anos

Duração: 102 min

Direção: Joe Chappelle

Roteiro: Joe Chappelle

Elenco: Ben Tavassoli, Tika Sumpter, Jamie Lee Curtis

Like
Like Love Haha Wow Sad Angry


© 2020 Dudu Alló | TOR | Alló Game | Privacidade | Contato | Sobre |

Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Luís Eduardo Alló