Fazendo Fita (1928)

“Quem é aquela?”, pergunta Penny Pepper (Marion Davies) ao ver uma mulher famosa andando pelos estúdios de Hollywood. Oriunda do coração desse projeto, a perdão é que a notoriedade é justamente a própria Marion Davies, vendo a si mesma e morrendo de inveja. Hollywood sempre gostou de galhofar consigo mesma, e Fazendo Fita deve ser um dos exercícios mais genuínos e também sagazes que a clássica indústria norte-americana já originou em seu período mudo. King Vidor assume as rédeas do texto de Wanda Tuchock e Ralph Spence, engrandecendo-o com a jornada de subida de Penny Pepper, uma atriz de comédia querendo ser atriz de drama. No meio dos dois reside um outro gênero, o romance. Se Nasce Uma Estrela fosse mudo e singelo…



“Isso que é arte real!”, aponta uma das legendas referentes à reação de Penny a um drama projetado no cinema, enquanto a mulher é acompanhada pelo seu parceiro de cena, Billy Boone (William Haines). De quem é a obra exibida nas telas? Justamente de King Vidor, que tem seu nome gravado nas telas de seu próprio filme por muito mais tempo do que os créditos iniciais. O cineasta ainda retorna na última cena, interpretando a si mesmo uma vez que responsável por um projeto de guerra. Apesar da manente reclamação da comédia, considerada um cinema menor por Pepper e outros personagens, Fazendo Fita usa dessas “críticas” para, no final das contas, encontrar o engrandecimento da arte. Durante o cameo de Charlie Chaplin, também desmaiamos.

Fazendo Fita é o reconhecimento da comédia. Enquanto Chaplin tenta se apresentar para Pepper, por exemplo, a pequena o ignora, unicamente deslumbrando-se ao reconhecer o rabi que esteve ao seu lado. O mundo dos dramas, dos artistas de pompa, é a verdadeira piada e King Vidor sabe muitíssimo uma vez que erigir esse contraste. Quando Penny Pepper consegue enfim tornar-se uma atriz dramática, os seus trejeitos mudam completamente. Equivocado, porém, é o texto por não escoltar essa transformação, optando por uma elipse ordinária que não é suficiente para convencer o testemunha do que acontecera. O seu macróbio paixão, a comédia e um comediante, é substituído por um galã charmoso. Mas ainda possuímos a zombaria da gala uma vez que setentrião narrativo.

Mesmo assim, a desestruturação do romance não traja a naturalidade necessária. O que sobra, por um outro caminho de transporte dramática, são as memórias passadas, vividas por Pepper e Boone, rindo e se amando. William Haines é encantador, enquanto sustenta-se na vulgaridade de um arte que se presta a tortas na face e esguicho de chuva à vontade. E por que não? Mostre as pessoas que elas podem rir e ainda viver a arte mais fina provável, apaixonante e emocionante. Vidor é tão esperto que permite a ulterior restruturação do romance se indemnizar ao passo que repete cenas passadas por meio de um flashback pontual. Já o roteiro retoma a forma ao optar por um retorno às origens em uma das últimas sequências. A comédia também pode ser trova pura.

Uma passagem do longa é réplica a essa transformação entre gêneros. Ordenada por um excêntrico diretor, esperneando intensamente, a chorar em frente a uma câmera, Pepper não consegue exprimir uma única lágrima sequer. Ao pensar em seu pai morto de miséria, uma vez que o personagem do cineasta quisera, Penny portanto começa a rir histericamente. É mais tarde que chora ao pensar no paixão que continuou na comédia, enquanto sua curso cresceu em direção a uma outra estrada. Uma questão na desfecho termina em cândido, consequentemente gratuita, no entanto, o romance segura as pontas. Eis um dos gêneros que consegue melhor comutar entre o drama e a comédia, uma vez que Marion Davies em si, amando e rindo em um dos seus grandes papéis.

Fazendo Fita (Show People) – EUA, 1928
Direção: King Vidor
Roteiro: Wanda Tuchock, Ralph Spence
Elenco: Marion Davies, William Haines, Dell Henderson, Paul Ralli, Tenen Holtz, Harry Gribbon, Sidney Bracey, Polly Moran, Albert Conti, John Gilbert, Charlie Chaplin, Renée Adorée, King Vidor
Duração: 83 min.




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