Laços de Ternura (1983)

Laços de Ternura é um filme bastante ousado para a sua quadra, muito mais irreverente que algumas narrativas contemporâneas sobre as dores e delícias da maternidade, muito tanto quanto das relações familiares. Ao longo dos 122 minutos de projeção, adentramos na vida das personagens femininas e entendemos seus anseios e desejos, práticas sexuais tradicionais e outras incursões no terreno dos jogos de atração, dentre outras questões não aceitáveis na ensejo estadunidense, dominada pela doutrinação republicana ao ditar o perceptível e o inexacto em termos comportamentais.

Dirigido por James L. Brooks, cineasta que teve tanto quanto guia o próprio roteiro, levantado com base no romance de Larry McKutry. Em sua história, mãe e filha conversam amenidades e coisas sérias via telefone, tanto quanto se fossemos duas grandes amigas íntimas, o que permite desavenças, críticas, momentos de tensão e outros de pura entrega emocional. O que ambas não esquecem nesse trajeto é a particularidade de cada papel desempenhado em seus respectivos cotidianos: uma é a mãe, carregada de experiências que a permite compreender algumas escolhas inadequadas da filha. A outra, antes de ter o seu primeiro fruto, não consegue entender a mãe, mas o tempo vai lhe ensinar algumas lições valiosas, numa trama que poderia tranquilamente se intitular “Golpe do Destino”.

O ponto de partida para a história investe num panorâmica revisitação ao pretérito, para entendermos as ações de Aurora (Shirley McLaine) tanto quanto mãe dedicada e exageradamente protetora de Emma (Debra Winger), ambas esféricas e desenvolvidas com muito vigor. O tempo avança e Emma decide casar-se com Flap (Jeff Daniels), um jovem com postura comportamental que não agrada nem um pouco a futura sogra, descontente com a junção do novo par. Ela aconselha a filha, mas a apaixonada pequena entende a atitude tanto quanto birra da mãe e segue a sua vida de casada muito distante do envolvente em que viveu com a matriarca por longa data.



Diante da situação exposta, ambas percebem que precisam fazer um pouco para mudar suas respectivas condições. Aurora precisa seguir adiante, trespassar do sentimento de viuvez e ter outras atividades que a deixe ocupada. Emma começa a sentir os impactos do tálamo posteriormente Flap provar pouco saudação ao traí-la sem nenhum pudor, sempre cínico e dissimulado. Nesse processo Aurora conhece Garret (Jack Nicholson), velho membro da aviação que age de maneira malandra com as mulheres, mas que no caso de Aurora, parece querer dar um tempo na epíteto de “pegador”.

Enquanto a mãe vive um jogo de idas e vindas e morosidade para tirar o detido sexual e se entregar ao indivíduo pleno de vigor que a deseja, a filha precisa mourejar com as dificuldades financeiras da vida independente que escolheu para si, além de ter que enfrentar dois grandes novos problemas: a traição fixa de Flap com uma de suas alunas, quase um novo tálamo, e para ser ainda mais trágico, a notícia devastadora de um cancro de proporções nefastas em seu organização, um pouco que pedirá dela bastante paciência e cautela na procura de resoluções.

Narrado por uma câmera que observa sem discrição os diálogos dos personagens, Laços de Ternura teve direção de retrato assinada por Andrezej Bartkkowiak, zeloso com questões de iluminação e presença de enquadramentos no estilo clássico, captadores dos espaços erguidos pelo eficiente design de produção de Polly Platt, setor em consonância ideal com os figurinos de Kristi Zea, elementos que permitem a construção visual dos perfis dos personagens. Acompanhado pela trilha sonora de Michael Gorf, o filme é melancólico, mas sem precisar adocicar nas notas musicais.

Lançado em 1983, Laços de Ternura é um drama que retrata de maneira sólida as idas e vindas no tempo para ressaltar os altos e baixos entre as suas. A mãe, senhora com pouco tino de humor e pânico de envelhecer, evolui em sua exigência, tal tanto quanto a filha, interessada em seguir os padrões, formar uma família e continuar sendo desinibida e livre, mesmo sem trabalhar e relativamente ser dependente do marido em alguns aspectos, tanto quanto por exemplo, o financeiro. Com uma prelecção valiosa sobre maternidade, a produção nos mostra Aurora e Emma em suas semelhanças e diferenças, exposição que nos permite compreendê-las dentro dos conflitos que gravitam em torno de suas existências. Uma prelecção dramática sensível e cativante.

Laços de Ternura — (Termes of Endearment) Estados Unidos, 1983.
Direção: James L. Brooks
Roteiro: James L. Brooks, Larry McMurtry
Elenco: Albert Brooks, Shirley MacLaine, Alexandra O’Karma, Amanda Watkins, Danny DeVito, David Wohl, Debra Winger, Devon O’Brien, Elaine McGown, F. William Parker, Helen Stauffer, Holly Holmberg Brooks, Huckleberry Fox, Jack Nicholson, Jeff Daniels, Jennifer Josey
Duração: 132 min.

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