Modo Avião – Crítica

Não é excesso declarar que Larissa Manoela possui uma das vozes mais influentes quando centramos no que o público infanto-juvenil gosta de consumir. A jovem atriz e influencer cresceu atuando e agora, mais do que nunca, conquistou um significativo espaço dentro do streaming. Com novos filmes já confirmados pela Netflix no porvir, Modo Avião pode ser encarado {como} uma nova período para Manoela. Esse é um filme que não só fala sobre questões muito atuais {como} da mesma forma é bastante centrado no talento de sua protagonista, que tem carisma de sobra para realizar com que o testemunha se identifique com o que Ana, jovem viciada em celular, sente ao longo da narrativa.

Mas, nem mesmo a presença marcante de Manoela em tela, com uma personagem que evidencia algumas das maiores complicações desta geração – o consumo excessivo de redes sociais, a vontade de se mostrar sempre feliz e, {claro}, a procura eterna por likes e seguidores –, é capaz de se desvencilhar de clichês {nada} naturais. Em Modo Avião, depois Ana se acidentar no trânsito de São Paulo por estar mais focada em seu celular, a {garota} é obrigada a realizar um detox do dedo promovido por seus preocupados pais. Ela, logo, se afasta da cidade grande e da dependência em que trabalha, que pouco se importa com seu muito estar, e finalmente conhece seu avô numa cidade do interno.

Toda a constituição deste cenário detox entra num dilema: de um lado, o avô, interpretado por Erasmo Carlos, é um dos pontos altos desta segmento de personagens da pacata cidade, porém todo o restante não consegue depreender outro nível que não seja dentro de estereótipos. É interessante ver a transformação de Ana, antes uma jovem mais preocupada com o exterior e que não ouvia suas próprias vontades de forma correta, até chegar numa jovem que enfim conhece suas raízes, seu pretérito e, por consequência, o melhor caminho a seguir no porvir. Porém, a verdade é que todos nós já vimos esse tipo de história, e inevitavelmente o desfecho de cada componente do roteiro é muito fácil de ser decifrado ainda na metade do longa.

É muito {claro} o esforço de Manoela em entregar uma personagem de várias camadas, seja por seu sabor por tendência (minguado pelo dia a dia {como} influencer) ou pela sutil inquietação ao aguentar com sua líder Carola (Katiuscia Sonoro). Porém, o roteiro não tem {como} principal missão trabalhar melhor seus personagens – {como} a própria líder da dependência de influencers, que atua {como} roteirista da vida de seus clientes. A vilã tinha o potencial para ser ainda mais autêntica e trazer uma mensagem séria sobre a questão problemática que é a do simulação e ilusão contida nas redes sociais – porém {nada} disso acontece, pois o roteiro foca mais no lado cômico de toda a condição, com frases que soam forçadas e situações que dificilmente aconteceriam na vida real.

Com uma bela direção de arte e retrato, que contrasta muito os dois “mundos” tão distintos na visão de Ana, Modo Avião se sobressai quando se atenta às questões familiares que envolvem a protagonista, principalmente na relação avô e neta. Os diálogos encontrados nestes momentos focados na relevância de ser sincero com suas raízes e encontrar sua verdadeira motivação são bonitos, da mesma forma que é a mudança comportamental de Ana ao terebrar os olhos para o mundo real, longe de aplicativos. A mensagem do filme de César Rodrigues acaba por nos distrair momentaneamente dos deméritos da história, ocorrendo relevante para os dias atuais e ainda com um bônus: trazendo consigo uma mensageira que garante o valor de tal reflexão.

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