O Gato de Nove Caudas (1971)

Segundo filme da Trilogia dos Bichos de Dario Argento, O Gato de Nove Caudas teve diversas cenas cortadas na maioria das exibições ao volta do mundo, ficando com exclusivamente 90 min. nessas ocasiões, tendo retirados os momentos com alusões homossexuais e algumas cenas de chocante violência. A obra funciona uma vez que uma espécie de laboratório de aprimoramento para o diretor, embora seja um filme esteticamente mais ordinário que o primeiro e com um roteiro que explora muito mais o motivo misterioso por trás dos assassinatos do que a psicologia ou os efeitos diretamente ligados ao criminoso, um tanto que ofídio o seu cimalha preço no final. O roteiro deixa o público cada vez mais curioso pela solução do mistério, que traz a fórmula dos assassinatos violentos e a presença de uma pessoa generalidade ajudando na investigação solene ou fazendo isso por si mesma, mais uma vez, com consequências tensas.

Em O Gato de Nove Caudas temos Franco “Cookie” Arnò (Karl Malden), um jornalista cego e jubilado que vive com sua sobrinha ainda gaiato e, acidentalmente, se vê no meio de uma perigosa sequência de eventos ligados ao sigilo de pesquisa em uma gigante do ramo farmacêutico. A trilha sonora dramática de Ennio Morricone prepara o testemunha para um transe a cada esquina e é capaz de erguer uma atmosfera de paranoia e temor em menos de dez minutos de filme, um tanto que a direção de Dario Argento também sugere com bastante cultura, através daquilo que torna os seus giallos tão peculiares: o uso da câmera uma vez que ponto de vista do criminoso e a maneira de escondê-lo ou fazê-lo agir de forma a nos manter interessados pelo que virá na sequência.

As cenas noturas são também uma marca neste tipo de filme, mas cá ganha uma poderoso representação, marcando grandes momentos da caça e do caçador. O maior destaque de toda a obra é, sem incerteza, o modus operandi, representado pela assinatura de Argento e por algumas excelentes ideias do fotógrafo Erico Menczer. Aqui, exclusivamente um observação sobre conferência — já que estamos falando de uma trilogia — embora isso não seja um fator definidor para colocar o trabalho de luz e cores ou de movimentação de câmera no presente filme alguns degraus aquém. O vestimenta é que começamos essa jornada tendo a assinatura visual do grande Vittorio Storaro e terminados com outro elogiável fotógrafo em Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza: Franco Di Giacomo. Assim, o trabalho de Menczer parece nublado neste segundo capítulo e, de vestimenta, para o padrão dos bons giallos e mormente para os giallos de Argento, falta ousadia estética.



Em nenhum momento, porém, deve-se imaginar que o que se vê em 9 Caudas seja um tanto ruim. Gosto particularmente dos ambientes internos (leia-se o interno das casas) e da melhor constituição fotográfica do filme, a sequência dentro do laboratório onde um fotojornalista vai fazer a revelação de todo o frame de uma foto e acaba assassinado. A ambientação ali é preciosa, começando pela mise-en-scène (temos exclusivamente um ator em cena, o que é uma faca de dois gumes para a direção, tornando as coisas mais fáceis de guiar, mas mais difíceis de fazer com que pareça fluída, interessante) e terminando com o golpe depois o homicídio. No percurso do filme temos outras boas composições visuais mas, para mim, nenhuma com tantos bons elementos combinados.

O que degringola na obra é a revelação do criminoso. Durante toda a projeção depositamos esperanças de que uma intriga dentro da indústria farmacêutica e coisas relacionadas à uma pesquisa que promete afetar toda a psicologia e até recta criminal venham à tona através dos personagens que acompanhamos o tempo inteiro na tela. Mas isso não acontece. E uma vez que o roteiro está organizado justamente em uma identidade dita conhecida, que circula todos os suspeitos e aparentemente inocentes no percurso da projeção, sua solução final é completamente maninho. Ela guarda uma boa dinâmica de enfrentamento e segura muito o suspense pelo que deve suceder com Lori ou com o um dos mocinhos que rondavam o telhado naquele desfecho. Mas zero vai além.

A revelação, quando vem, trai o próprio roteiro, que construiu o curso da fita sob essa identidade. Se a teoria era (uma vez que evidentemente parece, ao cabo) ressaltar mais o trajeto e menos a exposição de “quem matou?” logo que o texto não particularizasse tanto o criminoso. A ótima direção para as cenas de câmera subjetiva em O Gato de Nove Caudas acaba sendo o grande destaque da película, assim uma vez que a manutenção do temor o tempo inteiro ativo e boas atuações de James Franciscus e Karl Malden. Uma pena que a marcação de toda essa estrada seja para dar destaque a a um tanto que, quando se revela, não faz jus à espera. Isso não quer expressar, entretanto, que não nos divertimos durante o trajeto.

O Gato de Nove Caudas (Il gatto a nove code) — Itália, França, Alemanha Ocidental, 1971
Direção: Dario Argento
Roteiro: Dario Argento, Luigi Cozzi, Dardano Sacchetti
Elenco: James Franciscus, Karl Malden, Catherine Spaak, Pier Paolo Capponi, Horst Frank, Rada Rassimov, Aldo Reggiani, Carlo Alighiero, Vittorio Congia, Ugo Fangareggi, Tom Felleghy, Emilio Marchesini, Fulvio Mingozzi, Corrado Olmi, Pino Patti, Werner Pochath
Duração: 112 min.

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