O Grande Desfile (1925)

Filme de maior sucesso de bilheteria da Era Silenciosa, O Grande Desfile (1925) foi o resultado extremamente positivo de uma proposta feita pelo cineasta King Vidor ao produtor Irving Thalberg, de investir em filmes realistas de guerra com um poderoso drama humano costurando os acontecimentos narrados. Apenas sete anos haviam se pretérito desde o termo da Primeira Guerra Mundial e a memória do trágico ocorrência ainda fazia secção da vida de muitos cidadãos americanos e europeus. É aí que um filme uma vez que O Grande Desfile encontra o tempo e espaço perfeitos para se projetar com sucesso.



O roteiro nos conta a história de James (John Gilbert), fruto de um rico empresário americano, que se alista no Exército, e é enviado para lutar na França. Além dele, ganha prestígio na obra dois outros homens, Bull (Tom O’Brien) e Slim (Karl Dane), companheiros de campanha de James. Começando e terminando com uma poderoso nota melodramática (oriente, aliás, o ponto fraco do filme, porque não acompanha o desenvolvimento cruel do belicismo), The Big Parade escancara para o público a ruína do ideal de humanidade — alguns espectadores até diriam “da inocência do varão” –, e também de vidas e de cidades em prol de um conformidade para o qual o militar no front só pode proferir “Sim, Senhor!“. Esse impacto ético — e também a oposição moral em relação às ordens recebidas — não eram exatamente comuns no cinema americano de guerra, logo é interessante ver isso na tela em uma obra de 1925, acompanhando uma história majoritariamente antibelicista.

Primeiro, é importante ressaltar que quando James começa a se opor às ordens que, sob um ponto de vista urbano, nunca seria aceito, ele não está talhado a falar contra a guerra ou criticar o horror de sua existência de um modo fixo e ingénuo, uma vez que o fariam, por exemplo, Sem Novidade no Front (1930) ou Glória Feita de Sangue (1957). Quando disse “majoritariamente antibelicista”, eu quis proferir que a sátira de Vidor ao Estado e sistema de guerra tem um limite. Amparado pelo drama pessoal do personagem de John Gilbert, o diretor e os roteiristas aderem ao oração quando a guerra destrói e/ou afeta diretamente esse personagem que vínhamos acompanhando desde o início da obra, fazendo-o tolerar até um perceptível nível para que, ao final, sua resgate moral e ressarcimento casual da vida trouxessem um bem-recebido final feliz. Nenhum problema com nenhuma dessas coisas, é simples. Afinal de contas, estamos no cinema. Mas considerem isso em termos narrativos e percebam que há uma poderoso disparidade entre a primeira hora + os últimos 15 minutos e o miolo inteiro do filme. A secção que, na minha visão, faz a obra ser realmente grandiosa.

Com muita coisa do material de batalhas dirigido em segunda unidade por George W. Hill, O Grande Desfile critica e enaltece em mesma medida o espírito patriota, o labor belicista e o engrandecimento do herói americano, o “patrono da liberdade”. Isso desequilibra o roteiro e, no termo das contas, abre alas para que o texto melodramático alce voo, numa dissonância de concepção mesmo, para um filme de guerra que se pretende realista. Todavia quando aborda exatamente aquilo que deveria dar toda a sua atenção, o longa é genial. Os fotógrafos John Arnold (principal retrato) e Charles Van Enger (segunda unidade) fizeram um verdadeiro milagre ao mostrar o movimento dos soldados americanos em território francesismo, principalmente nas incríveis cenas noturnas. Algumas quedas de soldados são afetadas e é praticamente impossível que atiradores de escol do Exército inimigo tenham incorrecto tantos tiros uma vez que vemos cá, principalmente na sequência do primeiro progressão entre as árvores. Ocorre que o perfeição estético ligado à totalidade exposição heroica dos militares ali nos permitem uma simbólica suspensão da descrença e corroboração daquilo uma vez que secção do drama. Dentro da guerra, apesar de improvável, não é impossível e, em nenhum momento, o enredo deixa a temática principal de lado para tratar de doces amores e adicionais banalidades, uma vez que praticamente metade do filme o faz, fora do front.

A rijeza com que olho para a primeira secção da película, no entanto, se restringe exclusivamente ao enredo. Em todo a fita, é bom deixar simples, paladar das atuações (e devo proferir que o espírito pândego do personagem de Karl Dane é fascinante), da direção, da arte e dos figurinos, que passam de um conjunto para outro com uma muito pensada transição das ocupações/condições financeiras desses homens e suas posições no Exército. O diretor até coloca isso na tela, na primeira noite, onde James, o jovem rico, é o único que tem coisa para consumir, no meio de todo o destacamento. Mas à medida que os laços se fortalecem e as desgraças causadas pela guerra visitam o núcleo principal, essas diferenças de classe são deixadas para trás e todos passam a dividir a mesma penúria, as mesmas trincheiras, fugir das mesmas balas e bombas, morrer ou fugir da morte chamando uns pelos outros. Intenso, muito muito dirigido e com uma mensagem formosa (apesar de um caminho duro até chegar à felicidade) O Grande Desfile é o tipo de filme que mesmo que se apontem problemas para ele, é impossível não perceber ou entender o por quê levou tanta gente para as salas. Um fenômeno cinematográfico sobre o melhor e pior do que é ser humano.

O Grande Desfile (The Big Parade) — EUA, 1925
Direção: King Vidor (cenas de segunda unidade: George W. Hill)
Roteiro: Laurence Stallings, Harry Behn, King Vidor
Elenco: John Gilbert, Renée Adorée, Hobart Bosworth, Claire McDowell, Claire Adams, Robert Ober, Tom O’Brien, Karl Dane, Rosita MarstiniGeorge Beranger, Harry Crocker, Julanne Johnston, Kathleen Key, Dan Mason, Carl ‘Major’ Roup, Carl Voss
Duração: 151 min.




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