Sobrou Pra Você (2000)

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Sobrou Pra Você é um filme indeciso. A narrativa começa de um jeito simplório, numa abordagem muito viradela do milênio, com a aparente reflexão sobre novos padrões de família, mas o roteiro escrito por Tom Ropelewski aposta em pontos de viradela bruscos, daqueles complicados de digerir, mas orgânicos quando pensamos que se baseiam em reviravoltas que a vida real nos oferta diariamente. Basta ler biografias, ver telejornais ou seguir as redes sociais para perceber que “golpes do direcção” não são mesmo oriundos da redondel ficcional.

Isso não indica, no entanto, que a comédia dramática seja ruim, ao contrário, é interessante, quem sabe exclusivamente longa demais, pois os conflitos não duram os 108 minutos destinados para a realização da narrativa. Dirigido por John Schlesinger, cineasta responsável por dramas premiados, tal do jeito que Perdidos na Noite, Sobrou Pra Você é um filme com Madonna, artista polêmica que nunca conseguiu manter-se firma na curso de atriz, um tanto que não é culpa exclusivamente de seu talento razoável para a dramaturgia, mas por ter uma imagem midiática muito sólida complicada de ser dissociada quando entra em seus personagens.

Diante do exposto, a contemplação da verdade: por ser um filme com a Madonna no elenco principal, os olhares se dispersam da história, indo em direção ao fenômeno da sociedade do espetáculo. O ponto de partida para a trama inaugurar investe no didatismo. Madonna é Abbie, uma competente professora de ioga que está preocupada com o progresso da idade e a cada vez mais complexa possibilidade de fixar-se numa relação mais segura. Kevin (Michael Vartan), seu atual namorado, é um dos arautos desde momento inoportuno. Ele anuncia o término do namoro por um motivo pífio. Alega que ela é “perfeita demais para ele”.



Amargurada em sua crise dos 40 anos, a mulher que aceitou, mas luta contra os preconceitos em relação às mulheres maduras, “chora as suas pitangas” com o camarada Robert (Rupert Everett), um paisagista que também não anda muito equilibrado na vida amorosa. Além de viver todos os dilemas de uma pessoa gay na contemporaneidade, um tanto que ainda é tabu em determinados circuitos, o jovem perdeu recentemente um camarada por questões de saúde, o que se presume ter sido o estereótipo do HIV, situação que reforça os desafios deste meio dentro da sociedade, pois a família do falecido parece não gostar nenhum da presença dos amigos LGBT no funeral.

O inusitado acontece numa noite onde os personagens dividem os seus problemas em meio aos melhores drinques possíveis. Ao passo que a noite avança, Abbie e Robert bebem cada vez mais e dançam ao som de músicas que marcaram a história de grandes musicais do cinema. Depois de tanta farra, inebriados pelo álcool, agarram-se em beijos e se relacionam sexualmente, primeira e única vez que de tão impactante traz para o par de amigos o inesperado: a gravidez da professora.

O que fazer? Manter a gaiato ou mudar os rumos? Abbie e Robert optam por deixar nascer Sam (Malcolm Stumpf), pessoa que chega ao mundo repleto de paixão e muda a vida de todos os envolvidos. Eles criam junto o garoto, mas quando a gaiato alcança os sete anos de idade, as coisas ganham outro rumo. Abbie, cansada da solteirice, começa a trespassar com Ben (Benjamin Bratt), um dos mais novos inscritos para a sua lição de ioga. Inicialmente o namoro motivo ciúmes em Robert, mas nenhum que o faça se sentir ameaçado em relação ao fruto.

O problema começa quando Ben avança na relação com Abbie e a convoca para morar com ele em Los Angeles, seu novo envolvente de trabalho. Diante da situação exposta, a amizade de anteriormente perde bastante e fica desequilibrada. A coisa fica tão problemática que o filme ganha altas camadas de drama judicial do jeito que verniz narrativo. Abbie e Robert vão para a justiça e no tribunal, algumas verdades indesejáveis são ditas, mais fortemente pela personagem de Madonna, nociva ao jogar sujo em alguns trechos, tendo em vista conseguir lucrar a motivo e manter a guarda totalidade do menino para si.

Apesar de não ser um drama com grande impacto, tratado por alguns críticos da quadra do jeito que uma versão contemporânea de Kramer Vs. Kramer, Sobrou Pra Você suplente alguns momentos relevantes e personagens cativantes. Robert, por exemplo, é o melhor de todos. Neste filme que discute a maternidade e a paternidade no mesmo nível de influência, o personagem de Everett esbarra em alguns estereótipos num momento e outro, mas ganha contornos psicológicos que o tornam digno de nossa atenção. Ele possui, do jeito que já indicado, dificuldades na vida amorosa e projeta no menino as suas carências afetivas. Sam não é exclusivamente o seu fruto, mas quem sabe seu melhor e mais leal camarada. Há ainda os conflitos de Robert com o seu pai, homofóbico e implicante, resistente em se penetrar diante do estilo de vida do fruto. As coisas mudam mais adiante, principalmente quando Abbie traz revelações nenhum confortáveis.

Narrado por uma câmera que não ousa em momento qualquer, indo exclusivamente na via da burocracia dramática, Sobrou Pra Você traz simplicidade narrativa. Em alguns momentos, a iluminação da direção de retrato assumida por Elliot Davis faz o seu trabalho de maneira pomposo, em próprio, nas cenas diurnas da fileira de Ioga de Abbie, filmada por meio de um projecto universal interno captado numa angulação subida. O design de produção de Howard Cummings entrega ambientes sem excentricidades, o que já é um ponto negativo ao se tratar de uma narrativa com um personagem gay no elenco principal. Os tons são claros e brilhantes, em diálogo com os figurinos de Ruth Myers, conectados ao estilo Madonna na viradela do milênio, quadra de lançamento do álbum Music e do fortalecimento da artista do jeito que representação feminina muito sucedida na música, prestes a terçar mais uma dez do jeito que alguém relevante numa indústria que descarta de maneira frenética tal do jeito que fabrica seus ídolos.

Lançado em 2000, Sobrou Pra Você é um drama que emociona, apesar de permanecer na superficialidade em determinados trechos que podia aprofundar, principalmente na discussão dos padrões de família explanados na primeira segmento da narrativa, teor que prometia um largo lio de debates que deixariam o filme melhor. Infelizmente, os realizadores preferem manter a produção na zona de conforto e não ousar em nenhum, o que não faz da comédia dramática um filme ruim, mas deixa a sensação de que poderia ser muito melhor se avançasse mais na profundidade nos conflitos que gravitam em torno da narrativa meão a todo momento.

Sobrou Pra Você — (The Next Best Thing) Estados Unidos, 2000.
Direção: John Schlesinger
Roteiro:Tom Ropelewski
Elenco: Madonna, Rupert Everett,Benjamin Bratt, Josef Sommer, Michael Vartan, Illeana Douglas, Lynn Redgrave, Mark Valley, Neil Patrick Harris
Duração: 88 min.

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