Zardoz (1974)

Quem é Sean Connery no auge da sua virilidade, conseguindo encantar povos até mesmo imortais e comandar seres brutais a uma revolução contra a fidalguia vigente em sua sociedade? Sua versão original de James Bond, justamente a primeira visão cinematográfica de tantas do icônico personagem, ou sua encarnação de Zed, com peito destapado, cabelo extenso e tanga vermelha? Nem que seja uma piada escrachada indicar o segundo exemplo uma vez que o retrato mais selvagem já interpretado pelo ator, todavia, Zardoz conduz verdadeiramente um caráter extremamente sexual nessa geração do seu protagonista, mesmo rejeitando as pompas masculinas. Uma passagem marcante coloca a tensão para ser construída – de um modo perturbado até – por meio exclusivamente do olhar. Zardoz rompe com a urbanidade, porque o horizonte é a “primitividade” e não há zero de inexacto nisso. Um retorno às origens, ainda mais desnorteador que o bebê de 2001: A Odisseia no Espaço.



Os homens que matam, os homens que são mortos e os homens que mandam matar. Bastante irônico uma vez que o longa-metragem consegue usar a tecnologia uma vez que uma incoerência da possibilidade do horizonte ser altamente evoluído. Os carros voadores não existem e, nesse sentido, Planeta dos Macacos é uma aproximação muito mais correta ao projeto, ainda mais quando os próprios pôsteres da era já apontavam Zardoz uma vez que indo “além de 1984”. Seria seguro até indicar que, através de uma confusão absurdista e psicodélica, esse é um réplica ainda mais pessimista para as possibilidades do ser-humano entender um tanto maior que a si mesmo. Tudo retorna ao sexo, à reprodução e a morte uma vez que as únicas verdades, simples e claras, sobre a existência do varão. Já tudo que John Boorman promove sobre a persona de Deus é ainda mais ácido que esse entendimento do fracasso humano em termos tecnológicos. Ganhou o fanatismo.

Como se em uma sociedade im-possível, séculos no horizonte, todas as contradições religiosas permanecessem e se impulsionassem. Centenas de anos se passaram e as únicas coisas que o ser humano cultua são Deus, morte e armas. Muito dissemelhante do que vivemos atualmente? Para um mundo em que uma parcela da população não mais morrerá, para que serve o sexo? Justamente o princípio daqueles que impõem o vício uma vez que inerente à sexualidade. Um grupo de exterminadores, no caso, são agraciados por Zardoz – nomenclatura dessa potestade – do porte de arma, a ser usada para expelir as impurezas existentes nos Brutais. Mas além dos Exterminadores e dos Brutais, também existem os Eternos, aqueles que são responsáveis por movimentar essa personificação do sagrado para os assassinos. “O pênis é mal”, aponta Zardoz. O extremismo, suas implicações aos dominantes e dominadores, origina uma perdição a tudo e todos.

Eis um varão que mata “Deus” e encaminha o sexo a uma população de pessoas consideradas imortais. Zed quer desenredar quem ou o que está por trás de um grande rosto volátil de pedra, a sugestão do sagrado na Terra do horizonte. A revolução, portanto, secção de dentro do grupo daqueles que são oprimidos e usados uma vez que servos do divino, enquanto aqueles que oprimem se debruçam no tédio sintomático para a evo. O absurdismo margeia uma ficção científica que se consolida com muitos simbolismos, apesar da monotonia da vida pacata dos Eternos se estender para dentro do próprio projeto, que não possui muito apego a uma construção mais material do que é sugerido. O literato à morte, proposto em Zardoz, é, antes de qualquer coisa, um literato à arma. O sexo uma vez que demora e, em consequência, o sexo uma vez que libertação. O último massacre mora entre as coisas mais orgásticas que o sci-fi já propôs. Eis a purificação do corpo, pois a psique inventaram.

Zardoz – Irlanda, 1974
Direção: John Boorman
Roteiro: John Boorman
Elenco: Sean Connery, Charlotte Rampling, Sara Kestelman, John Alderton, Sally Anne Newton, Niall Buggy, Bosco Hogan, Jessica Swift
Duração: 105 min.




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