Os donos do poder – O Estamento Burocrático

O estamento burocrático comanda o ramo social e militar da gestão e, dessa base, com aparelho próprio, invade e dirige a esfera econômica, política e financeira. No campo econômico, as medidas postas em prática, que ultrapassam a regulamentação formal da ideologia liberal, alcançam desde as prescrições financeiras e monetárias até a gestão direta das empresas, passando pelo regime das concessões estatais e das ordenações sobre o trabalho. Nas suas relações com a sociedade, o estamento diretor provê acerca das oportunidades de subida política, ora dispensando prestígio, ora reprimindo transtornos sediciosos, que buscam romper o esquema de controle. É importante ressaltar que esse mecanismo de auto-proteção do estado não ocorre somente nas ditaduras. Ele ocorre também nas democracias. Só que, nestas, há todo um vista de legitimidade.

Frequentemente, as pessoas rejeitam a escol política — também chamada de “o establishment” — que as está espoliando. Ato contínuo, exigem sua derrubada. No entanto, mesmo que esta escol política seja retirada da risco de frente, o poder estatal e a máquina pública continuam intactos. O que normalmente acontece é que somente a risco de frente (a face visível) da escol política é alterada; todo o resto continua impávido. Toda a gigantesca máquina de exploração legalizada, toda a burocracia, todas as leis criadas por políticos, todas as regulamentações, todos os jogos de bastidores e todos os demais poderes estatais continuam intactos. No final, simplesmente houve uma troca da risco de frente da escol governante.



Esse novo establishment pode ser igual, pior ou ligeiramente melhor do que aquele do qual as pessoas acreditam ter se livrado. Por isso, na prática, tanto em uma ditadura quanto em uma democracia, o supremo a que você pode aspirar é trocar uma escol política ruim por outra que seja mais plausível. E só. Todo o cerne do problema continua inatacável: o sumptuosidade estatal. Quem de indumento comanda o estado, quem estipula as leis e as impinge, não são os políticos, mas o estamento burocrático: isto é, a permanente estrutura burocrática formada por pessoas imunes a eleições ou a troca de regimes. São estes que compõem o verdadeiro sumptuosidade controlador do governo. O estamento burocrático é uma máquina inabalável que sempre procura fazer o sistema funcionar em mercê próprio. Ele resiste a qualquer êxtase (revolucionário ou reacionário) que possa motivar desconforto.

Para fugir do sistema, você não tem de fazer uma revolução; você tem de fazer uma secessão. Você tem de retirar todo o seu suporte ao sistema vigente. Você tem de revogar a legitimidade que você conferiu a essas organizações. Você tem de fazer isso, e todas as outras pessoas também têm de fazer isso. E isso não é uma coisa que pode ser organizada previamente. Escândalo em seguida escândalo, já deveria estar evidente que o estamento burocrático é incorrigível e que o sistema é irreparável. Ele não pode ser reformado. Ele não pode ser “tomado desde dentro”. Ele tem de deixar de ser financiado. O sigilo da liberdade não é a revolução; o sigilo da liberdade é a deixar de financiar a ordem centralizada existente. Por exemplo, o sigilo da segurança monetária e de uma moeda poderoso não é conquistar o Banco Central e colocar lá “um dos nossos”, ou conceder a ela uma suposta independência. O sigilo é a soberania monetária. Qualquer um utiliza a moeda que quiser sob uma ordem social de livre mercado. E isso só se consegue via secessão. A revolução tecnológica, a revolução “open source”, vai descentralizar o mundo de maneira mais intensa. A descentralização não vai levar a uma revolução. A descentralização vai levar à secessão. Refiro-me a uma secessão ao estilo de Gandhi. Refiro-me à retirada do suporte.

O establishment já está um tanto perdido por culpa das inovações tecnológicas. A escol governante está gradualmente perdendo o controle das comunicações, da ensino, do desenvolvimento industrial, do planejamento social, do consumo e de quase todo o resto. Os modelos antigos se tornaram antiquados e desacreditados, e os novos os estão substituindo, organicamente, de maneira duradoura. Por isso, escolher um autocrata personalista, seja de esquerda ou de direita, pode colocar tudo isso em risco. Um movimento político impulsionado pelo ressentimento pode conferir poder a uma novidade forma de controle oligárquico, resultando em uma calamidade ainda maior, uma que ninguém poderá controlar.

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