Alexander von Humboldt, o famoso explorador alemão que foi proibido de entrar no Brasil por suspeita de ser espião

Em 2019 são comemorados 250 anos do promanação do pesquisador germânico que fez trabalho pioneiro na América Latina.

O germânico Alexander von Humboldt nasceu em 1769, em Berlim, e é até hoje considerado um dos mais importantes exploradores e cientistas do mundo. A jornada dele pela América Latina, que durou aproximadamente de seis anos, é comparada a uma espécie de “segundo descobrimento” do continente. Nessa viagem, Humboldt escreveu quatro grandes livros sobre os países latino-americanos, mas um deles ficou de fora de suas pesquisas: o Brasil.

Além da tributo para a ciência, Alexander von Humboldt também ficou divulgado pelas críticas que fez ao sistema colonial vigente na América Latina no período. Ele criticou a escravidão e a exploração da natureza do continente pelos europeus.
Quando deixou Madri, na Espanha, para encetar sua expedição pela Venezuela entre junho e agosto de 1799, Humboldt tinha unicamente permissão da Coroa Espanhola, que dominava boa seção do continente.

Ao chegar à América Latina, Humboldt escreve relatos em que se diz impressionado com a coloração e a variedade da vegetação e dos animais. Em um primeiro momento, Humboldt ficou perto de Caracas, na Venezuela e depois começou sua expedição pelo rio Orinoco.

A viagem foi de 75 dias. Alexander von Humboldt e Aimé Bondplan, médico e botânico que o acompanhou na jornada pelo continente, percorreram mais de 2250 quilômetros de mata fechada. Em todo o trajectória Humboldt fez anotações e desenhos dos os animais e das vegetação que encontrava pelo caminho. Um registro completo da fauna e da flora da região que até logo era desconhecida.



Um dos seus estudos mais importantes na América Latina é o mapeamento do ducto do Cassiquiare — a comprovação de que existe uma relação entre as bacias dos rios Orinoco e Amazonas. Humboldt foi o primeiro pesquisador a confirmar o encontro entre as duas bacias e a indicar a sua localização exata. A essa fundura, em maio de 1800, a expedição dos cientistas já havia chegado ao extremo sul da Venezuela, na fronteira com o Brasil.

Humboldt logo decide entrar em território Brasileiro para continuar suas pesquisas, mas é impedido pela diadema portuguesa que nesse momento dominava o país. O historiador germânico Frank Holl, responsável de uma das mais importantes biografias de Humboldt, explica que o governo português teve receio de que o germânico fosse um espião.

“Foi encontrado um manuscrito do príncipe regente do Brasil, Dom João, endereçado ao governante da capitania do Ceará. Dom João pediu que se Humboldt tentasse entrar em território brasiliano, medidas rigorosas fossem tomadas para proteger a América Portuguesa”.

A diadema portuguesa acreditava que Humboldt poderia ser um espião infiltrado e que traria novas ideias que poderiam ameaçar a soberania de Portugal na região. “A tensão entre o governo espanhol e o governo português era grande, e isso foi o principal fator para dificultar a ingressão de Humboldt em território brasiliano”. Dom João chegou a ordenar que, se Humboldt entrasse no Brasil, deveria ser diretamente enviado da Amazônia para Lisboa.

O pesquisador germânico continuou sua jornada por outras regiões da América Espanhola e se tornou divulgado pela luta contra as opressões da escravidão dos indígenas em vários países. Especialistas também consideram Alexander von Humboldt um dos primeiros ambientalistas do mundo porque, com seus estudos sobre zonas climáticas, ele apontou que o comportamento humano poderia modificar a natureza.

© 2019 Dudu Alló | Fórum | WikiAlló | Social | Privacidade| contato | Sobre |

Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Luís Eduardo Alló