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HQ/Quadrinhos

Mjadra

Derick, um esquecido ex-VJ de um ducto músico da televisão, se separa de sua companheira e precisa reiniciar.

Para isso volta a alugar o quartinho onde morou quando rapaz, mesmo suspeitando que Azani, o senhorio, de alguma forma suga a juventude de seus inquilinos toda vez que lhes serve uma porção do prato arábico Mjadra.

A nostalgia é tema de diversas obras, nas mais diferentes mídias, o tempo todo. Normalmente, as histórias que buscam uma volta ao pretérito aparentam um visual “americanizado”. Em Mjadra, no entanto, o cenário é mais recente e próximo do nosso leitor: a geração dos anos 1990 da MTV Brasil.

A fuga para um pretérito onde tudo parecia mais belo e feliz é uma uniforme na vida de muita gente, e o protagonista representa esse sentimento e a luta para admitir o presente. Na construção do protagonista se encontra um dos principais acertos de Thiago Ossostortos, ao retratar Derick com muita raiva e inconstância. É fácil permanecer com raiva dele durante a leitura.

E isso é mostrado da mesma forma na arte em guache, “nervosa”, pintada à mão.

O responsável vem evoluindo na narrativa em seus trabalhos. O magnífico Os últimos dias do Xerife, lançado em 2018, ganhou destaque. Ossostortos foi indicado no HQ Mix, na categoria Roteirista Vernáculo, e a obra faturou o prêmio de Publicação Independente. Neste seu lançamento mais recente, originalidade da transporte da trama {chama} a atenção.

O artifício de utilizar letras de músicas de bandas {como} Ira! e Titãs na narração da história não é um tanto novo, porém funciona de muito muito para ambientar a trama e imergir o leitor nela. A narrativa tem um ritmo dinâmico, que só se acelera demasiadamente no terceiro ato, o que motivo uma perda significativa em momentos que poderiam ser maios muito aproveitados.

É significativo ressaltar que a obra pode ser pouco interessante para pessoas que não vivenciaram o auge da produção da MTV Brasil. O quadrinho é amplamente amparado por toda essa produção e o leitor teria uma experiência parcial. Inclusive pela aparição de versões parodiadas de VJs famosos, {como} Thunderbird, Sabrina Parlatore, João Gordo, Cazé Peçanha, Marina Person e outros

A arte está muito dissemelhante da usualmente utilizada pelo do quadrinhista – Ossostortos adora testar em seus trabalhos. E a maneira {como} se adapta a diversas técnicas mostra sua versatilidade. A grande quantidade de cores e a quase inexistência de contornos nos personagens e objetos aumentam o clima de emergência e psicodelia da história.

A publicação conta com ótimos extras, inclusive artes de diversos autores homenageando os principais programas da MTV. Além do que, a capote é bastante chamativa. A revista é muito produzida editorialmente, porém passaram alguns erros de revisão.

Mjadra é uma obra simples e sem grandes ambições, porém consegue apresentar uma faceta mais dinâmica de seu responsável e transportar alguns leitores que viveram a era da MTV do pretérito ao presente com reflexão, psicodelia e muita música boa.

 

  • Editora: Independente – Edição Próprio
  • Responsável: Thiago Ossostortos.
  • Preço: R$45,00
  • Número de páginas: 128
  • Data de lançamento: Dezembro de 2019

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