Devil’s Third

Mau, mau, mau, vocábulo que ouvi e li inúmeras vezes antes do lançamento de Devil’s Third, o mais recente título do sabido produtor Tomonobu Itagaki, título que o próprio considerou uma “obra-prima”. As fortes críticas ao jogo começaram a ditar o seu rumo mesmo antes do lançamento, fazendo com que baixa-se as minhas expectativas de forma significativa. Após a peroração da campanha e de várias horas no modo multiplayer, posso prometer que não se trata de uma obra-prima, mas também não é o monstro que muitos conceptualizaram.

O jogo começa com a colisão de múltiplos satélites espaciais que causam um impulso eletromagnético, impedindo a utilização de grande segmento dos dispositivos eletrónicos na Terra e provocando o caos por todo o mundo. Após esta cena inicial, deparamo-nos com Ivan, personagem de sotaque russo forçado, tapado por estranhos carateres tatuados ao longo do seu corpo. Preso, mas com regalias difíceis de entender para alguém com uma sentença de 850 anos, Ivan é informado que terá de ajudar as forças militares dos Estados Unidos a varar um grupo sabido tanto quanto School of Democracy (SOD), responsáveis pelo ataque terrorista e curiosamente antigos parceiros de Ivan.

É difícil não rir do enredo que remete aos antigos filmes de ação que passam na estação pública ao sábado à noite, mas atenção, não é necessariamente um elemento negativo. Tal tanto quanto muitos outros jogos de origem japonesa, Devil’s Third ultrapassa as barreiras do razoável e admissível com o seu diálogo piroso e eventos completamente irreais, fazendo com que o jogador nunca ligeiro nenhum a sério, um tanto muito idêntico ao que acontece em Bayonetta. Contudo, à medida que começamos a aproximamos-nos do final, o tom começa a inverter para um tanto mais sério, baralhando completamente o jogador.



O jogo quis que formasse uma relação emocional que nunca existiu ou portanto é uma elaborada piada que ainda estou por perceber.
Depois de ver os créditos finais da campanha pensei: “O jogo quis que formasse uma relação emocional que nunca existiu ou portanto é uma elaborada piada que ainda estou por perceber.”.

Não fez sentido, aliás, ainda hoje não faz. Todos os bosses do jogo são antigos colegas de Ivan, pessoas com quem conviveu durante anos, todavia muito pouco sabemos acerca dos mesmos. Devil’s Third não se esforça em desenvolver uma ponte entre Ivan e os membros da SOD, não se esforça a explicar tanto quanto é os militares continuam a usar aparelhos eletrónicos depois de um pulso eletromagnético, etc.

A nível de gameplay somos contemplados com mais uma série de altos e baixos. O combate corpo a corpo é simples, brutal e delicioso, ou não fosse leste um título desenvolvido pela mesma mente por de trás dos mais recentes Ninja Gaiden…os bons. Os desmembramentos e as pequenas interações com o cenário durante uma realização são fantásticas e variadas graças ao extenso leque de armas melee que o protagonista pode utilizar.

Katanas, martelos e machados são unicamente alguns dos brinquedos com que nos deparamos ao longo da campanha, cada um contendo as suas próprias animações de combate. O Enbaku Gauge, a única habilidade privativo de Ivan que aumenta o dano causado pelo protagonista, é outro poderoso motivo para o jogador não tirar os dedos dos botões X e Y (Light e Heavy Attacks), sobretudo tendo em consideração as horrendas mecânicas de shooting.

Adoraria provar o mesmo apresso pelas armas de incêndio, mas devido ao cruel polimento das comandos de jogo, pouco posso proferir de positivo em relação a leste elemento. Mal erguemos a autorifle para disparar apercebemo-nos que Devil’s Third nunca foi conceptualizado para a Wii U e que muito pouco fez para se conciliar à plataforma da Nintendo.

A desadequada sensibilidade e as fracas mecânicas de disparo aliadas ao inoportuno comando GamePad, fizeram com que me distanciasse e evitasse usar shotguns, snipers e outras armas ao sumo. Cada projéctil, cada disparo, foi tanto quanto um soco no estômago, no meu, infelizmente.

Os bosses são outro caso de bipolaridade ao garantirem alguns dos momentos mais frustrantes e até penosos do jogo. O combate frente a Grundla Saha é o comburente que inicia a utilização absurda do botão de dodge em todos os embates. O facto de cada golpe fazer com que Ivan fique às portas da morte faz com que sejamos obrigados a esquivar tudo o que seja ataque, mas ao contrário de jogos tanto quanto Dark Souls, Devil’s Third nunca expõe qual o melhor momento para contra guerrear. O último boss é o exemplo sumo disso mesmo, uma espécie de toca e foge do pretérito.

O modo online também cede à fraca realização das mecânicas do jogo, embora apresente momentos bastante apreciáveis. Após uma breve seleção do aspeto da nossa personagem, ganhamos chegada a algumas armas que podemos comprar através de verba do jogo ou Golden Eggs. Este último item referido é obtido ao subirem de nível ou através de verba real e pode ser fruto de uma enorme disparidade entre jogadores no campo da guerra.

Close Quarters concedeu-me a possibilidade de utilizar unicamente armas corpo a corpo, de longe o melhor elemento do jogo.

À segmento das micro transações, um tanto que ainda não sou capaz de associar à Nintendo, o jogo contém vários modos multiplayer para se aventurarem, entre eles os comuns Battle Royal e Team Deathmatch; todavia estes não foram os que se destacaram durante a minha estudo. Chikens e Carnival proporcionaram diferentes e divertidas experiências, obrigando-me a conquistar e segurar galinhas o sumo de tempo verosímil e a atirar fruta para um contentor com o intuito de obter o maior número de pontos possíveis. Já Close Quarters concedeu-me a possibilidade de utilizar unicamente armas corpo a corpo, de longe o melhor elemento do jogo.

Procuro testar a versão free-to-play que vai ser lançada para PC, plataforma que permite personalizar a sensibilidade da câmara e que poderá exaltar um pouco a qualidade do Online, formado por múltiplos modos de jogos e sistema de clans. Quem sabe não será o lar perfeito.

Visualmente não satisfaz, com vários modelos a remeterem à era da PlayStation 2, e o facto da Wii U possuir um hardware menos poderoso que uma Xbox One ou PlayStation 4 não é desculpa. No universal somos afogados em modelos e texturas de qualidade reduzida, que servem de projecto de fundo de detalhadas personagens de maior destaque, dando a crer que o jogo merecia de facto mais desvelo e atenção por segmento da Valhalla Game Studios.

O jogo é formado por boas ideias, por alicerces representativos de uma verosímil “obra de arte”, obra que acabou por se desmoronar graças à fraca realização das mecânicas de jogo. É difícil não ter em consideração os problemas que Itagaki e a sua equipa tiveram durante o desenvolvimento do jogo, mas as oscilações de frame rate e os incompetentes comandos levam a crer que Devil’s Third foi lançado antes do tempo e que merecia mais qualquer desvelo.

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