Kingdom Hearts 3

Como todo jogo da franquia, Kingdom Hearts 3 começa tocando sua música tema, Dearly Beloved, na tela de início. Composta pelo aclamado músico Yoko Shinomura, a trilha tomada perfeitamente a sentimentalidade que é o coração da série. A cantiga é, ao mesmo tempo, gula e melancólica, ansiosa e corajosa, sombria e inspiradora – uma memorial da história que deixará os fãs de longa data com os olhos marejados. Eu queria poder transmitir corretamente o impacto de ouvi-la, mas o melhor que posso fazer é manifestar que é irresistível.



O único jeito de realmente entender as emoções que Dearly Beloved provoca é ter se conectado com a franquia e seus personagens, é ter seguido suas jornadas ao longo de 17 anos de história, para o muito e para o mal. A nostalgia e o investimento por trás de Kingdom Hearts são incrivelmente poderosos, tanto que me ajudaram a seguir em frente durante partes ruins de uma experiência, no universal, deleitável.

Kingdom Hearts 3 se preocupa demais com os fãs, mas escorrega para se manter harmónico sob o peso de seu próprio e confuso lore. Mas o jogo também é tudo aquilo que os fãs amam na série: um RPG de ação que celebra Disney e Pixar e reforça temas porquê amizade, heroísmo e o luz de uma indulgência bastante pura.

Em alguns momentos, esses temas podem ser difíceis de entender. Isso acontece particularmente porque o jogo tem a proposta de descrever a história maior de Kingdom Hearts, ao invés dos contos menores de personagens icônicos da Disney ou o idealismo puro de Sora. Levando em conta que esse é o capítulo último de um roda gigantesco, não podemos criticá-lo por ter essa fixação, mas, ainda assim, a realização é frustrante. Kingdom Hearts 3 esbarra nos detalhes de seu lore, tanto que mesmo os fãs mais apaixonados podem ter dificuldade em entender o que os três principais heróis estão tentando fazer.

No universal, a história de Kingdom Hearts 3 envolve Sora, Donald e Pateta se preparando para uma guerra vindoura contra as forças da trevas e, nesse meio-tempo, reunindo os Guardiões da Luz. Isso é uma simplificação ao extremo, mas submergir mais a fundo nos detalhes exigiria longas explicações de vários e confusos conceitos e personagens. Sem incerteza é um tanto bagunçado, mas para os fãs que se comprometeram a jogar todos os games e estudar o suficiente para vincular os pontos no caminho, faz sentido. Para aqueles que não são tão versados em Kingdom Hearts, o principal da história não é exposto tão claramente quanto deveria ser.

O estado inchado do lore de Kingdom Hearts é o resultado de vários spin-offs e sequências que apresentaram novos personagens e histórias paralelas. Em seus próprios jogos, esses personagens tinham espaço para respirar, se estabelecer e viver arcos completos de narrativa. Entretanto, quando reunidos em um só título, cada um perde tanto em caracterização quanto em impacto. Kingdom Hearts 3 tenta pegar todas as pontas soltas em vários games – e os personagens presos nelas – e costurá-las em uma epílogo. O resultado disso é, no mínimo, incoerente.

É ainda pior que vários personagens sejam parecidos ou que alguns tenham versões de si próprio que viajam no tempo. Outros, por outro lado, são reencarnações que assumiram uma novidade forma ou existem no coração de um outro personagem. Existem ainda alguns que costumavam ter um nome e agora têm outro, mas ambos são usados, dependendo de quem está conversando. Em pouco tempo, todos esses personagens estão lutando por tempo de tela e puxando a história em direções tão distintas que se torna difícil encontrar o núcleo novamente. Os poucos que são realmente importantes para a trama se perdem no meio de figuras que parecem estar no jogo exclusivamente para aprazer aos fãs, ao invés de serem significativos para a história.

Se Kingdom Hearts tivesse um roteiro melhor, seria verosímil primar momentos-chave e personagens e dar ao jogador a chance de ver quem realmente é importante em uma plebe. Entretanto, o roteiro cria situações ainda mais difíceis de entender. Os vilões, em privado, muitos dos quais são membros da Organização XIII, possuem falas vagas. Presume-se que isso tinha a intenção de erigir um mistério, mas funciona exclusivamente para desmotivar e obscurecer o ponto crucial da história.

Em seu íntimo, Kingdom Hearts 3 é um história sincera de amizade duradoura. E a narrativa atinge seu auge quando se foca exclusivamente nisso.

Sora, o herói da série, continua a ser corajoso e ingênuo. Suas melhores facetas são a força de seu coração, a habilidade de fazer amizade com qualquer um e a devoção a seus amigos. Ele é o protótipo do bom menino. Mais uma vez ele é escoltado do Pato Donald, sempre propenso a ataques de raiva, mas uma companhia confiável; e Pateta, levemente histrião, mas a âncora emocional do grupo.

As aventuras do cativante trio pelos mundos da Disney e da Pixar, mostradas em Kingdom Hearts 3, assim porquê as interações que eles têm com os personagens dentro deles, são uma memorial de que, por trás do lore tortuoso, existem pequenas histórias que ecoam.

Os temas subjacentes de Kingdom Hearts harmonizam tão muito com os da Disney que, a cada novo mundo que Sora visitante, é entregue um momento impactante de história. No mundo de Toy Story, Sora ajuda Woody, Buzz e companhia a encontrar seus amigos desaparecidos, assim porquê a admitir a teoria de que eles vivem em um mundo onde Andy não existe.

Em Arendelle, ele encontra Anna, que está desesperada para se reconectar com sua mana, a rainha Elsa. É evidente que alguns desses momentos visitam territórios que já conhecemos, mas voltar a vivenciá-los ainda tem um impacto emocional.

Muitos dos mundos oferecem atividades extras para se fazer depois a epílogo da história principal de cada um. No de Toy Story, você mergulha numa paródia de Final Fantasy XV onde Sora é um robô que destrói inimigos e procura as pontuações mais altas. No universo de Piratas do Caribe, é verosímil velejar por um mar descerrado em procura de tesouros enquanto encara embarcações inimigas. A quantidade de variedade de gameplay em Kingdom Hearts 3 é impressionante, e, mesmo que esse teor bônus seja uma distração de curta duração, um supimpa motivo para voltar para aqueles que querem passar mais um tempinho em seus mundos favoritos.

No entanto, nem todos os mundos mantêm o cima nível. Alguns são vazios, sem muito a oferecer. O terreno enroupado de neve de Arendelle, por exemplo, é lento demais e suas missões principais envolvem escalar várias vezes uma serra. O shopping no mundo de Toy Story parece sem vida além dos brinquedos e inimigos – seria mais interessante ver pessoas reais circulando no fundo.

O grosso do gameplay de Kingdom Hearts 3, entretanto, está em seu combate regado a espadas e magias, que é rápido, frenético e espetacular em seus floreios cinematográficos. As mecânicas de combate representam uma evolução em relação às de KH2 e as mudanças mais notáveis estão em sua fluidez. Sora se move entre os inimigos com rapidez, desferindo golpes e transitando imperceptivelmente entre magias de queima e tratamento.

Há várias camadas por cima do combate capital. E apesar de não adicionarem uma enorme profundidade de considerações estratégicas, tornam os conflitos mais empolgantes. O jeitão das Keyblades agora é definido pelo mundo onde elas são obtidas. As armas de Sora também mudam de forma: uma barra se preenche conforme você aplica golpes e, ao permanecer enxurrada, se transforma numa versão mais poderosa, com novas habilidades.

Já a magia funciona de maneira similar. O uso repetido de um mandinga disponibiliza uma versão mais potente dele, sem uso suplementar de mana. Em certos momentos, Donald e Pateta chamam Sora para um ataque em grupo. O trio já passou por muita coisa, e esses momentos de união são uma representação de camaradagem e do desenvolvimento de cada um ao longo da série.

Outro recurso dos velhos tempos de Kingdom Hearts que está de volta é a Gummi Ship. Sora e sua equipe podem pilotar uma nave espacial enquanto viajam para novos mundos, o que, em qualquer momento, torna o jogo uma espécie de shoot-em-up. No pretérito, os trechos com a Gummi Ship eram mais travados, mas dessa vez você tem totalidade liberdade para voar para onde quiser. O espaço é repleto de tesouros escondidos, mas é preciso enfrentar inimigos para obter alguns deles. Também é verosímil gerar sua própria nave e equipá-la com mais armas e habilidades de suporte melhores, mas as mecânicas de tiro são pouco interessantes e precisas.

Conforme o jogo se aproxima de sua epílogo, a balança pesa em obséquio dos mundos que não são da Disney, onde a história principal de Kingdom Hearts pode se desenrolar e definir. Muitos dos ambientes onde isso acontece são belíssimos, porquê uma cidade intocada e arenas modulares que podem ser viradas de ponta-cabeça se assim for o libido de um inimigo.

Nesses lugares, porém, o jogo troca o coração e o resistência dos mundos apresentados até logo por uma história mais pesada que inevitavelmente culmina em batalhas impressionantes, mas que parecem pobres em realização. Com a risca de chegada no horizonte, o game quebra o ritmo com uma guerra detrás de outra, mas que não são desafiadoras em nenhum sentido, somente encheção de linguiça. A recompensa, no entanto, não vale a pena, já que Kingdom Hearts encerra sua história de maneira incrivelmente insatisfatória.

Mas a história das guerras da Keyblade, dos vilões que viajam no tempo e da trevas que ameaço completar com o mundo não é o que fará você se lembrar de Kingdom Hearts 3 ou da série no universal. O que permanece comigo é a empolgante guerra contra os titãs elementais com Hércules, é levar Rapunzel pela primeira vez para o mundo exterior é tirar selfies com Pooh. Em 2002, na pele de Sora, eu deixei as Ilhas da Disney para viajar pelo universo e fazer novos amigos. Em 2019, eu levei os antigos para moradia, e me diverti muito fazendo isso.

Acompanhe o nosso site no Facebook, Twitter, YouTube, Instagram e Twitch.




© 2019 Luís Eduardo Alló | WikiAlló | Social | Privacidade| contato | Sobre |

Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Luís Eduardo Alló