Resident Evil 2

O remake de Resident Evil 2, que finalmente será lançado na próxima sexta-feira (25) posteriormente anos de impaciência aguda, atinge o estabilidade perfeito entre homenagem e reflexão sobre os mais de 20 anos de vida da série de survival horror da Capcom.

A reinterpretação do trabalho de 1998 liderado por Hideki Kamiya mata nossas saudades da delegacia de Raccoon City (o segundo cenário mais memorável de RE, mas o meu predilecto), das suas paredes pintadas de sangue coalhado e até do babaca do dirigente de polícia Brian Irons.



Ao mesmo tempo, traz um gameplay moderno fundamentado em Resident Evil 4, mas com menos foco na ação, e uma procura incessante por coesão numa série dos quais enredo sempre teve muitas idas e vindas, muito diz que me diz.

O Resident Evil 2 de 2019 não tem a mesma dedicação à quebra-cabeças que outros capítulos da franquia e seu maior ponto fraco são os trechos em que você controla os personagens coadjuvantes, Ada Wong e Sherry Birkin.

Mas se daqui a outros 20 anos os videogames não existirem mais da forma que conhecemos e todos nós vivermos dentro da matrix, as máquinas historiadoras de entretenimento eletrônico vão olhar para levante remake uma vez que a maior e mais humilde síntese do espírito de Resident Evil: terror brutal e integral. Um verdadeiro zeitgeist.

Uma noite alucinante

Resident Evil 2 acontece dois meses depois dos incidentes na mansão Spencer, palco do primeiro jogo, com Leon S. Kennedy e Claire Redfield no posto de personagens principais.

Leon é um policial recém-admitido em Raccoon City e Claire está à procura do irmão Chris, protagonista de Resident Evil, de quem não tem notícia há tempos. Ambos seguem para a cidade sem saber que um vírus se espalhou e transformou a população em uma manada de mortos-vivos. Depois de se esbarrarem no meio do caminho, os dois acabam se ajudando para sobreviver.

A tragédia já era sátira e empática no Resident Evil 2 original. Afinal, saem de cena os agentes de escol da S.T.A.R.S. e entram dois jovens pegos de calças curtas em meio a um imolação zumbi. No entanto, o remake ganha contornos incrivelmente verossímeis graças a um esforço simples em explicar tintim por tintim quem são as pessoas envolvidas na treta, por que elas são do jeito que são e por que o jogo está acontecendo do jeito que está acontecendo.

– “Mas por que você tem que juntar três medalhões para perfurar um monumento no hall da delegacia?”, diz o jovem cético. Porque os policiais sobreviventes ficaram presos no prédio e descobriram uma saída secreta por ali, explica pacientemente a Capcom.

– “E uma vez que que pode a Claire, uma jovem de só 19 anos, ter as mesmas habilidades que Leon, que é policial?” Veja só, meu abrilhantado, ela recebeu do irmão um treinamento de artes marciais e armas de queimada.

– “E da onde que vem aquele lança-foguetes milagroso você sabe quando?” É, isso é mais difícil de explicar, mas ainda assim no remake parece menos imaginoso do que no jogo original.

Esse tipo de contextualização pinta ao longo de toda a história e não só nos arquivos, principal natividade de lore de Resident Evil, mas também em diálogos, nos comentários de Leon e Claire e em cenas de namoro muito redigidas, que explicam, mas não chateiam, a magia e o fantástico dessa franquia sobre armas biológicas no formato de zumbis.

Lacunas muito mais importantes que as citadas supra são preenchidas e satisfazem quem jogou o game de 1998. Enquanto que a narrativa uma vez que um todo ganha um nível de minúcias que expande essa jornada que começa numa delegacia, mas termina num laboratório subterrâneo de subida tecnologia. Tudo faz tanto sentido que o remake consegue ser mais assustadoramente real que o original.

Tirania do susto

É simples que ser um veterano de Resident Evil 2 traz um sabor e uma experiência peculiar na degustação desse novo prato. Basta pisar na delegacia de Raccoon City, desta vez recriada com o poderio tecnológico da RE Engine e numa atmosfera de devastação completa, para um filme de horror e sustos passar pela sua cabeça.

Momentos de pouca munição, de somente uma relva azul no inventário, de Lickers impedindo o caminho para a sala com o próximo item importante. Isso, de evidente modo, vai se repetir. Mas engana-se quem pensa que já viu de tudo só porque decorou os mapas e está pronto para os sustos.

A encetar por essas duas figuras da imagem supra, que injetam uma ração de pânico e pavor digna de interromper o jogo para respirar e pensar no que fazer. Achou que o Mr. X só iria chegar no cenário B? Achou falso.

Aqui chamado nominalmente de Tirano, ou Tyrant, a arma biológica T-00 persegue Leon e Claire por todos os cenários de RE2 desde antes da metade da história, sempre com seus passos pesados que podem ser ouvidos de qualquer esquina do departamento de polícia.

Viver sob a prenúncio regular de Mr. X é aterrorizante. O inimigo é invencível e o sumo que você consegue fazer é retardá-lo e tirar seu chapéu (hehe). E tudo fica pior quando a novidade geração de Lickers, apelidados cá de Carnífices, se espalha pelos corredores. Ao contrário do Resident Evil 2 original, esses monstros infectados pelo T-Vírus andam pelas paredes e tetos e são uma prenúncio ainda mais rápida e mortal.

Tem ainda uma novidade indivíduo nos esgotos, batalhas ligeiramente diferentes contra alguns dos chefões e até uma reorganização geográfica. A loja de armas Kendo, por exemplo, aparece na campanha de Leon posteriormente ele deixar a delegacia, num momento de muita emoção e sensibilidade rara na franquia Resident Evil.

Mas a principal diferença do remake é a câmera. O novo Resident Evil 2 deixa de lado a perspectiva com ângulos fixos, técnica usada até Resident Evil: Code Veronica, e usa a visão em terceira pessoa introduzida em Resident Evil 4. Felizmente, isso está longe de minuir o susto ou facilitar os disparos.

Leon e Claire são lentos mesmo quando correm. E para atirar com precisão e força máximas, precisam esperar alguns segundos com a arma em punhos até que a mira feche nos zumbis. Ou seja, pânico, suor insensível e tremedeira mesmo em conflitos que seriam mais simples.

A própria noção de atirar na cabeça dos zumbis, uma mecânica clássica de RE, cai por terreno. No remake, é mais negócio destroçar os joelhos dos mortos-vivos e depois finalizá-los com a famigerada faquinha. Essa e outras armas, uma vez que granadas, agora são classificadas uma vez que armas secundárias e podem ser usadas num momento de aperto – mecânica tirada diretamente do remake do primeiro Resident Evil, lançado para GameCube.

Há dois anos, a Capcom espantou a maioria das dúvidas sobre Resident Evil com Resident Evil 7, uma visão totalmente dissemelhante e moderna que expandiu os horizontes da série. Em 2019, a empresa olha para a direção oposta, mas sem deixar de refletir sobre o que é Resident Evil.

O remake de RE2 é nostálgico, mas incrivelmente tecnológico. A RE Engine recria criaturas asquerosas capazes de se esfarrapar com disparos e cenários incrivelmente atmosféricos, com luzes, estalos, sangue e engenhocas montando esse quebra-cabeça do termo do mundo.

O remake de RE2 é moderno, mas leal às suas raízes. O jogo balanceia a mobilidade de RE4 com a tensão dos corredores apertados e a regular sensação de estar mais fraco do que o necessário para enfrentar Lickers, cães zumbis ou fugir do Tirano.

O remake de RE2 é pro pretérito, mas também pro horizonte. A Capcom mostra humildade ao enxergar a oportunidade de esclarecer o que ficou mal-esclarecido, pra felicidade dos veteranos, e enriquecer ainda mais essa traço do tempo de Resident Evil, deixando o universo ainda mais saboroso para quem ainda não manja dos paranauês do T-Vírus.

Os momentos com Ada Wong e Sherry Birkin, companheiras das campanhas de Leon e Claire, respectivamente, são redundantes, sem perdão e quebram um pouco ritmo. O trecho com Ada deve insistir no sumo 25 minutos e consiste em hackear painéis de força para ativar equipamentos. Já o gameplay com Sherry pelo menos destrincha um pouco o projecto de fundo do dirigente de polícia Brian Irons. Mas ela tem somente a incrível habilidade de se esconder. E por uns 15 minutos também.

Isso, no entanto, não afeta a experiência de exploração e narrativa incríveis de Resident Evil 2. Se a saga de horror de Leon e Claire envelheceu mal, desconheço. Aqui a Capcom mostra que RE2 é clássico porque é peculiar. Pode calçar seus chinelos, amiga. Com o remake de Resident Evil 2, finalmente voltamos para moradia.




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