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Doria empurra responsabilidade para cidades e não fecha estradas no ‘feriadão’

São Paulo – Em mais uma medida incompleta de combate à pandemia de coronavírus, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), decidiu que não vão ser realizados bloqueios nas rodovias estaduais durante o “feriadão” que começa amanhã (20) e deve ir até a próxima segunda-feira (25). Doria empurrou a responsabilidade sobre bloquear o entrada de turistas para os municípios do litoral e os que são reconhecidos {como} estâncias turísticas, exclusivamente garantindo base às medidas que forem tomadas. Para o ex-ministro da Saúde e médico sanitarista Arthur Chioro essa postura pode pôr a perder o esforço de antecipar os feriados.

“Isso pode promover uma maior interiorização do vírus, porque as pessoas não têm uma mensagem clara para não ir ao litoral ou interno. E podem pôr a perder todo o lucro que se estimou com a antecipação dos feriados. É uma postura medrosa, que demonstra a pressão que os empresários estão fazendo sobre os gestores públicos. (Doria) Parece estar terceirizando as decisões, na esperança que o Ministério Público tome uma atitude, que a Justiça obrigue ao lockdown, deste modo evitando o dispêndio político da decisão”, afirmou Chioro.

A antecipação de feriados foi sugerida pelo governo Doria aos municípios, {como} forma de fortalecer a adesão ao isolamento social, para sustar o progresso da pandemia de coronavírus. O índice de adesão em domingos e feriados tem ficado em torno de 57%, muito supra dos 48% registrado ao longo da semana.

Apelo: fique em residência

Segundo o governo paulista, as cidades aceitaram antecipar dois feriados (Corpus Christi e Dia da Consciência Negra) para amanhã e quinta, decretando ponto facultativo na sexta-feira (22). A Plenário Legislativa analisa ainda a antecipação do feriado de 9 de julho para a próxima segunda. A capital paulista aprovou a medida ontem.

O coordenador do Comitê de Contingência do Coronavírus de São Paulo, Dimas Covas, fez um apelo de consciência para que a população fique em residência. “Já somos o terceiro país do mundo em número de casos e sexto em número de mortes. Estamos perdendo a guerra contra esse vírus. Esses dias não são um feriado, são dias de guerra. A população pode realizar sua secção ficando em residência e contribuindo para reduzir a circulação do coronavírus. Não viagem, não vão a parques, não visitem parentes”, disse Dimas.

Dados do comitê indicam que 88% das Unidades de
Terapia Intensiva (UTI) da grande São Paulo estão ocupadas. No interno são
71,4%. Estão internadas 9.561 pessoas, das quais 3.659 em UTI e 5.902 em
enfermarias. São Paulo tem quase 66 {mil} casos confirmados de covid-19 e 5.147
mortes.

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