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Fake News

Ceará não teve mais mortes por doenças respiratórias em 2019 do que em 2020 #FakeNews

Não é verdade que foram registrados mais óbitos por doenças respiratórias no Ceará entre os meses de abril e maio de 2019 do que no mesmo período de 2020, {como} afirmam publicações nas redes sociais que minimizam a pandemia do novo coronavírus (veja cá). Na possuirça-feira (12) os números do portal de Transparência do Registro Social, citados {como} {fonte} nas peças de desinformação, mostravam 3.280 óbitos por doenças respiratórias no estado em 2020 contra 2.765 em 2019. As publicações enganosas cometem dois erros: 1) incluem óbitos por causas não respiratórias na comparação sobre mortes por doenças respiratórias no Ceará e 2) omitem que os dados da plataforma que reúne dados de declarações de óbitos registradas nos cartórios do país não estão consolidados, ou seja, ainda estão ocorrendo atualizados ao longo do tempo, tanto no caso das mortes que ocorreram em 2020 quanto em 2019.

Publicado nas redes pelo deputado estadual cearense André Fernandes de Moura (PSL), o conteúdo enganoso foi compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro nos stories do seu perfil no Instagram. No Facebook, postagens do tipo acumulam algumas centenas de compartilhamentos. Todas foram marcadas com o selo FALSO na instrumento de monitoramento da rede social (saiba {como} funciona).

FALSO

O número de óbitos por doenças respiratórias no estado do Ceará não foi maior entre março e maio de 2019 que no mesmo período de 2020, {como} afirma uma peça de desinformação que circula nas redes sociais. A postagem cita {como} {fonte} o Portal da Transparência do Registro Social, que agrega dados de óbitos registrados em cartórios de todo o país. Esta plataforma, porém, não pode ser usada ao confrontar dados de períodos mais recentes, porque há defasagem de até 14 dias na sua atualização, {como} já mostrou em checagem de publicações que empregaram os dados de forma enganosa. Além disso, a Arpen Brasil (Associação Pátrio dos Registradores de Pessoas Naturais), entidade que mantém a plataforma, informou em transmissão no Youtube que dados de cidades com menos estrutura podem demorar um prazo maior para serem atualizados e que número de anos anteriores ainda estão ocorrendo inseridos no sistema dos cartórios.

A peça de desinformação comete ainda outro erro ao tributar os dados da plataforma: são usados os números de todas as categorias presentes na aba Pintura Covid Registral, que apresenta registros de óbitos por doenças ligadas ao novo coronavírus em todo o Brasil. Nem todos os números apresentados pela aba, no entanto, referem-se a doenças respiratórias. De negócio com o dicionário da base de dados, a categoria “demais óbitos” não tem relação com doenças respiratórias e, assim sendo, não deveria ser contabilizada. Na categoria “demais óbitos” estão incluídos todos os óbitos que não são por causas respiratórias exceptuando as mortes por razão externa ({como} homicídios, por exemplo), segundo o vice-presidente da Arpen Brasil Luis Carlos Vendramin Júnior explicou em transmissão no Youtube sobre a metodologia da plataforma.

Ainda que os números de 2020 estejam defasados por conta do tardança de {cerca} de 14 dias na atualização da plataforma, já é possível observar que os dados de 2019 são menores que os deste ano. Após uma atualização ocorrida à meia-noite desta possuirça-feira (12), consta no sistema que os registros de óbitos por doenças respiratórias no estado entre 16 de março e 10 de maio de 2020 são maiores do que os do mesmo período de 2019. Foram 2.765 no ano pretérito e 3.280 neste ano.

Qualidade. Por mais que seja uma {fonte} {oficial} de informação sobre mortalidade no país, a base de dados dos cartórios não tem dados consolidados de mortalidade, ou seja, ela ainda está ocorrendo atualizada ao longo do tempo, tanto no caso das mortes que ocorreram em 2020 quanto nas de anos anteriores. Marcelo Soares, jornalista e fundador da Lagom Data, consultoria de inteligência de dados, ressalta ainda que problemas no registro social impactam na precisão do oferecido que é mostrado no portal da Transparência do Registro Social: "A lei brasileira dá um prazo de cinco dias para que as famílias registrem mortes no registro social, porém, na prática, isso é muito complicado. Existem cidades tão pequenas que não têm cartório."

Bases de dados consolidados {como} o SIM (Sistema de Informações de Mortalidade), que é divulgado pelo Ministério da Saúde a cada dois anos, mostram mais mortes do que a plataforma dos cartórios. Em 2018, por exemplo, o portal do Registro Social indica nesta quinta-feira (14) que ocorreram 53.208 óbitos no Ceará. Já o SIM registra 57.028 mortes no estado no mesmo ano, uma diferença de 6,7%.

A Agência Lupa também checou a peça de desinformação.

Outro lado. Fernandes chegou a deletar a publicação original e atualizá-la para indicar de que se tratavam de mortes por diversas causas e não só de doenças respiratórias. Em seu novo post, no entanto, o deputado estadual ignora que os dados podem estar subestimados por razão do prazo de 14 dias para o registro na base. entrou em contato com a secretaria de comunicação do presidente Bolsonaro e com a assessoria do deputado para que pudessem comentar a checagem, porém nenhum respondeu.

Referências:

1. Registro Social (Fontes 1 e 2)
2.

Matéria atualizada às 18h31, do dia 14 de maio de 2020 para incluir mais detalhes sobre a metodologia dos dados do Portal da Transparência do Registro Social. Essa atualização não altera o selo da checagem.

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