Justiça da Venezuela abre investigação para apurar responsabilidade de Guaidó em apagão

O procurador-geral da Venezuela, Tareq Saab, informou nesta terça-feira (12) que abriu uma investigação contra o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, para apurar sua responsabilidade no apagão que afeta o país desde quinta-feira (7) da semana passada.

“O Ministério Público iniciou uma novidade investigação contra o cidadão Juan Gerardo Guaidó Márquez por seu suposto envolvimento na sabotagem realizada contra o Sistema Elétrico Nacional (SEN)”, disse Saab no Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, em Caracas.



Ainda não está evidente o motivo real da falta de robustez. As agências do setor elétrico da Venezuela, do governo Maduro, falam em “sabotagem criminosa e brutal contra o sistema de geração elétrica” na usina de Guri, no estado de Bolívar, a mais importante do país e uma das principais da América Latina.

Em pronunciamento feito no sábado, Maduro disse que um ataque cibernético impediu a restituição da robustez. “Às 19h da quinta-feira se encaminhava o processo de recuperação, quando recebemos um ataque cibernético internacional contra o cérebro de nossa empresa de eletricidade que maquinalmente derrubou todo o processo de reconexão”, disse.

Especialistas acusam o governo de Maduro de não ter investido na manutenção da infraestrutura por conta da crise econômica. O autoproclamado presidente interino e líder da oposição Juan Guaidó disse que o apagão é decorrente de prevaricação e falta de manutenção.
No Twitter, Guaidó questionou a versão do governo de que o blecaute é fruto de sabotagem externa. “A única sabotagem é a do usurpador a todo o povo da Venezuela”, publicou.

Guaidó pediu nesta segunda (11) à Assembleia Nacional, de maioria oposicionista, que decretasse “estado de emergência” pátrio. O texto do pedido prevê que as forças armadas colaborem no restabelecimento da robustez elétrica e que a população tenha seu recta de reivindicar reservado.

O autoproclamado presidente interino convocou um protesto contra Maduro para esta terça, no quinto dia do apagão que deixou quase todo o país no escuro e afeta a população pela falta de chuva e comida.
O oposicionista convocou as manifestações para a tarde, para coincidirem com o horário em que começou na quinta-feira, pouco antes das 17h, o maior namoro de robustez elétrica na história do país de 30 milhões de habitantes.

“Todos às ruas para gritar com primor que morra a vexação”, escreveu no Twitter o jovem presidente do Parlamento, reconhecido uma vez que presidente interino da Venezuela por mais de 50 países, liderados pelos Estados Unidos.

A emergência, que afeta Caracas e 22 dos 23 estados do país, mantém diversos serviços em funcionamento intermitente, mas algumas áreas do interno estão sem luz desde quinta-feira.

O apagão provocou o colapso do fornecimento de chuva, que já era deficitário, porque as bombas das cisternas precisam de robustez elétrica para funcionar. Muitos venezuelanos tentam obter chuva em supermercados ou fontes naturais.

Em Caracas, em uma medida desesperada, um grupo de moradores desceu ao meio do poluído rio Guaire para coletar chuva. “Temos a gorgomilos seca”, gritaram aos militares que os expulsaram do lugar.
Alguns têm que remunerar em dólares ou esperar os caminhões-pipa enviados pelo governo de Maduro a bairros populares ou contratados por prefeituras comandadas pela oposição.

Diante da crise, o governo ampliou para esta terça-feira a suspensão da jornada de trabalho e das aulas, medida anunciada na quinta-feira.
Em alguns lugares, chuva e víveres estão sendo cobrados em dólares pela escassez de cédulas, em um país onde até as pequenas compras devem ser pagas em máquinas de cartão, que estão fora de serviço pela falta de robustez.

Maduro anunciou a distribuição de comida e assistência a hospitais, onde segundo Guaidó quase 20 pessoas morreram. A ONG Codevida afirma que 15 pacientes renais faleceram por falta de diálise. O governo afirma que não há vítimas.

Saques foram registrados em algumas cidades do país. Após a saída de 2,7 milhões de venezuelanos desde 2015, segundo a ONU, muitos dos que estão fora estão angustiados com as dificuldades de notícia.

Uma estudo do Eurasia Group destaca que o agravamento da crise aprofundará o insatisfação popular com Maduro, mas Guaidó “enfrenta desafios para aproveitar o mal-estar porque seus seguidores poderiam desmobilizar-se, frustrados por não conseguirem forçar uma mudança rápida”.




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