Venezuela enfrenta quarto dia de blecaute

Venezuelanos fizeram filas em postos de combustíveis e supermercados; 17 pessoas já morreram nos hospitais por falta de robustez, segundo ONG. Irritados, os venezuelanos fizeram filas para comprar chuva e combustível neste domingo (10), no quarto dia de apagão que atinge todo o país. Sem robustez elétrica, vitualhas estão apodrecendo nas lojas, casas sofrem com falta de chuva e telefones celulares não têm sinal.

As autoridades conseguiram fornecer exclusivamente entrada desigual a robustez desde que o blecaute começou na quinta-feira, no que o presidente Nicolás Maduro chamou de ato de sabotagem bravo pelos Estados Unidos, mas os críticos insistem que é o resultado da incompetência e da devassidão.

Sem uma explicação solene congruente do problema ou do prazo provável para resolvê-lo, os venezuelanos estão agora preocupados com a possibilidade de que o apagão se estenda indefinidamente.

A pior queda de robustez da histórica do país ocorre no momento em que Maduro enfrenta um colapso econômico hiperinflacionário e uma crise política sem precedentes. Em janeiro, o líder da oposição Juan Guaidó invocou a constituição para assumir a presidência depois de declarar a reeleição de Maduro em 2018 porquê uma fraude.

Em Caracas, moradores irritados do bairro de Chacao montaram barricadas ao longo de uma avenida principal e em ruas laterais para reclamar contra a contínua paralisação.

“A comida que tínhamos em nossas geladeiras estragou, as empresas estão fechadas, não há notícia, nem mesmo pelo celular”, disse Ana Cerrato, 49, negociante, diante de uma rima de arame farpado e detritos.  “Nenhum país pode suportar 50 horas sem eletricidade. Precisamos de ajuda! Estamos em uma crise humanitária!”



Filas em postos de combustível se formavam enquanto os motoristas aguardavam para abastecer com gasolina. Famílias ficaram sob o sol para comprar chuva potável, que não está disponível para a maioria dos moradores cujas casas não têm robustez.

A estatal de petróleo PDVSA informou neste domingo que os suprimentos de combustível estavam garantidos, mas muitos postos continuaram fechados por falta de robustez.

Comerciantes incapazes de manter os frigoríficos trabalhando começaram a doar queijo, vegetais e mesocarpo aos clientes.  “Eu vou dar isso para as crianças de rua que eu vejo”, disse Jenny Paredes, dona de um moca, em referência ao leite que ela não poderia mais manter.

Outras lojas tinham suprimentos roubados. Um pequeno supermercado em uma extensão da classe trabalhadora do oeste de Caracas foi saqueado na noite de sábado (9) depois que os manifestantes fizeram uma barricada em uma avenida e entraram em confronto com a polícia, segundo os vizinhos e o possessor da loja, Manuel Caldeira.

“Eles pegaram comida, quebraram as vitrines, roubaram balanças e terminais de ponto de venda”, disse Caldeira, de 58 anos, em pé no solo de fábrica enroupado de vidro. “Nós não estávamos cá (quando aconteceu), chegamos cá e descobrimos tudo isso destruído.”

O ar na loja ainda cheirava a gás lacrimogêneo da noite anterior, quando a polícia disparou cartuchos para espalhar os saqueadores. Dois funcionários lutavam para perfurar portas de proteção de aço danificadas pelos ladrões.

“O sistema elétrico pátrio tem sido objeto de múltiplos cyberataques”, escreveu Maduro no Twitter neste domingo. “No entanto, nós estamos fazendo grandes esforços para restaurar o fornecimento (de forma) inabalável e definitiva nas próximas horas.”

Guaidó criticou severamente o governo por não explicar o que estava acontecendo. “O regime a esta hora, dias depois de um apagão sem precedentes, não tem diagnóstico”, disse ele.

Guaidó foi reconhecido porquê líder legítimo da Venezuela pelos Estados Unidos e pela maioria dos países ocidentais, mas Maduro mantém o controle das forças armadas e das funções do Estado.

Apesar da pressão de marchas frequentes da oposição e das sanções dos EUA ao vital setor de petróleo do país, Maduro não está acessível a negociações para finalizar com o impasse político e parece disposto a tentar permanecer onde está, disse Elliott Abrams, o enviado do governo Trump para a Venezuela.

Falando na rede de televisão norte-americana ABC, o mentor de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, disse no domingo que acha que o ‘momentum’ está do lado de Guaidó.

“Há incontáveis ​​conversas entre membros da Assembleia Nacional e membros das Forças Armadas na Venezuela; falando sobre o que pode suceder, porquê eles podem se mobilizar para estribar a oposição”, disse Bolton.

Nos hospitais, a falta de luz, combinada com a escassez ou performance ruim de geradores suplente resultou na morte de 17 pacientes pelo país, segundo a organização não governamental Doctors for Health no sábado.

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