Crítica | Doomsday Clock #9: Crise

Uma inveja que eu tenho hoje é das pessoas que irão ler Doomsday Clock na sequência, sem esperar 100 milhões de anos pela edição seguinte. Esta é a nona segmento (de 12), publicada em março de 2019, depois inúmeros adiamentos. A primeira edição da série saiu em novembro de 2017, só para vocês terem uma noção de quão penoso tem sido esse processo de espera e o quanto isso compromete um pouco a nossa relação de memória e comitiva dos fatos cá. Mas depois de checar umas coisas da revista anterior, entramos em mais um novo capítulo dessa coisa gloriosamente absurda de Geoff Johns e Gary Frank, e… senhoras e senhoras, que negócio maravilhoso!

Aqui, temos a retomada sátira dos eventos de Salvar a Humanidade, quando “Firestorm explode” mas o Batman percebe que não foi Firestorm coisíssima nenhuma. O pavor e a instabilidade são sentidas logo nas primeiras páginas da revista e eu confesso que não segurei uma risada de cumplicidade e ao mesmo tempo de vergonha e orgulho pelo veste de ver páginas tão incrivelmente desenhadas, todas sem um único diálogo, mas colocadas ali dentro de um propósito narrativo sólido, evidente, executado com timing perfeito e transmitindo com imensa força os sentimentos de pavor e instabilidade dos heróis diante de alguma coisa imensamente poderoso e ignoto. É logo que se trabalha com narrativa puramente visual num quadrinho mainstream! Dá vontade, não é Tom King?

Rastreando a vontade identificada em Moscou, os heróis deixam a Terra em direção à nascente daquilo que feriu Batman e Superman, que junto da Mulher-Maravilha, são os únicos heróis de eminente escalão que ficam na Terra. É um verdadeiro evento, com marcas épicas à la Infinitas Terras (pelo apelo heroico e de grandes mudanças de veras que tem), e pinceladas de diversas outra crises da DC, todavia, com uma ação contínua e efeito extremamente poderoso, que faz o roteiro ser um verdadeiro delícia pela surpresa que desculpa e pela forma às vezes muito sacana (propositadamente, evidente) que o Dr. Manhattan lida com todos esses heróis que estão em sua frente. Ele joga no modo fácil. Ele sente um pouco de curiosidade em relação ao argola dos Lanternas Verdes. Ele junta os elementos e aprende com a mágica e as forças de Zatanna e Etrigan realmente funcionam. Ele sente prazer em testar o alcance do Capitão Corpúsculo. Até que portanto resolve não mais galhofar e faz um único gesto… A percepção do tempo “presente” para Manhattan é exposta cá por Geoff Johns tendo no passo adiante um dilema que nos afeta desde a primeira página: ele não consegue ver o porvir. Mas por quê? Porque Manhattan mata o Superman ou porque ele destrói tudo o que existe?



Dois pontos devem servir de atenção nessa história. Um deles (a conversa entre Lois e Lex) eu não gostei muito. O que está apresentado ali responde uma coisinha ou outra (“Você já ouviu falar de Wally West?” ou… “Fui eu que te enviei aquelas fotos dos heróis que nunca existiram“), mas tem um efeito menor diante da grandeza de todo o restante, apesar de não ser zero ruim. O outro ponto é um provável retcon (com Mahattan, nunca se sabe) para a história de origem do Nuclear. Pelo trabalho que veio apresentando até cá, eu quero crer que Geoff Johns não irá pisar na esfera em relação a isso, mas confesso que me incomoda ver esse novo ponto de vista. Não, não é o término do mundo. E sim, é uma escolha congruente com a fala do Questão sobre o veste de que a Teoria do Superman não é uma conspiração, é uma veras… E sim, também é alguma coisa que dá para se avezar. Mas eu não sabor disso. Vamos esperar.

Seguindo os passos de Watchmen também no timing para a apresentação dos grandes enfrentamentos — com um ritmo lento, embora muito rico em informações, para todo o desenvolver da saga — Doomsday Clock enfim nos apresenta uma guerra que faz jus à persona do Dr. Manhattan e faz recompensar toda a espera. Ver aquele mutirão de grandes heróis com pavor impresso em suas faces ainda quando estavam em suas naves; depois, diante de Manhattan, experimentando o que é mourejar com o refinamento da própria noção de vontade e poder… é alguma coisa que certamente entrará para a nossa lista de momentos inesquecíveis dos quadrinhos (pelo menos para a minha lista vai entrar). Faltam exclusivamente mais três edições para o término da saga. Eu realmente espero que elas saiam até o Natal de 2099. Até lá, mesmo reclamando, eu não consigo deixar de esperar com sabor, porque, com base no que tive até cá, sei que vem coisa muito boa pela frente. O Relógio do Apocalipse fazendo valer o medonho tique-taque do tempo criado e recriado por um único Ser.

Doomsday Clock #9: Crisis  — EUA, 6 de março de 2019
Roteiro: Geoff Johns
Arte: Gary Frank
Arte-final: Gary Frank
Cores: Brad Anderson
Letras: Rob Leigh
Capa: Gary Frank, Brad Anderson
Editoria: Brian Cunningham, Amedeo Turturro
30 páginas

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