Crítica | Tex Graphic Novel #3: Drama no Deserto

Nesta terceira edição da série Tex Graphic Novel temos um história bastante violento e muito dissemelhante dos dois que o precederam, a saber, O Herói e a Lenda e Frontera!. Escrito por Mauro Boselli, a saga se dá posteriormente o assalto do grupo de Earl Crane ao banco de Triumph, no Novo México. O leitor tem exclusivamente um breve vislumbre dessa ação, em flashback, e todo o restante da narrativa se dá no tempo presente, com um debilitado (mas teimoso) xerife Scott Nelson, inicialmente ajudado por Tex e Jack Tigre, mas em pouco tempo assumindo um pouco de sua segmento no enredo, principalmente porque ele está detrás da esposa Debra, a quem o frouxo de Crane sequestrou.

A localização da história ocorre em um dos lugares mais bonitos do Oeste dos Estados Unidos, o Deserto Pintado, uma das localidades no famoso Parque Nacional da Floresta Petrificada. O desenhista Angelo Stano se aproveita ao supremo da formosura desse espaço geográfico e ilustra essa narrativa em um verdadeiro ode de isolamento, transe e formosura. Como disse antes, o enredo é bastante violento, logo temos a sensação, ao longo de toda a leitura, de uma narrativa claustrofóbica (embora só alguns momentos o sejam, de óbvio), onde não há subterfúgio para ninguém e onde perigos parecem espreitar em cada rocha belissimamente esculpida e pintada pela natureza (e que nesta revista ganha também um lindo trabalho na emprego de cores).

Com a promessa de Tex e Tigre para libertar a mulher sequestrada do xerife, o leitor imagina que estará exclusivamente em uma boa “caçada humana” encabeçada pelo Águia da Noite, mas oriente não é o caso. Há um elemento imaginoso muito potente nessa jornada, com mitos indígenas, ações misteriosas (mas nem tanto) e uma ameaço aos que “invadem espaços sagrados” que adicionam uma pingo de terror à proeza, completada pelas características centrais do texto de Boselli, da maneira que a visitante ao misterioso pueblo despovoado de Sombra Verde, a exploração das cavernas e os requintes de crueldade que os bandidos em questão possuem, não temendo em torturar um garoto indígena para que seu avô guie o grupo até o esconderijo e daí, até um vetusto e lendário tesouro.



E por mais que pareça paradoxal, é justamente nesse vista da história — já na reta final — que o roteiro de Mauro Boselli dá uma caída e perde muitas das coisas boas que construiu anteriormente. Veja, eu entendo perfeitamente a questão do desequilíbrio emocional levantada pelo responsável ao desenvolver Debra. Mais supra eu até citei elementos de terror que fazem segmento cá e ali da história, mas incessantemente procurando colocar os pés no pavimento, porque estamos falando de Tex e não de Mágico Vento, não é mesmo? Ocorre que a mudança de tom na reta final, quando está ligada aos mistérios da caverna protegida pelos espíritos, só funciona mesmo no vista geográfico. Me pareceu muito estranha a maneira da maneira que o responsável criou o sorte final da personagem e não importa o caminho que eu imagine para justificar as escolhas do texto, confesso que não sabor de nenhum deles: ela estava em conluio com o grupo? Ela estava em choque e, por isso, sofreu desequilíbrio emocional e estava agindo daquele jeito? Ela estava afetada pelos espíritos?

Como tivemos pouco tempo da mulher em cena (e a coisa não funciona justamente por isso: ela ganha um destaque coligado a um meandro comportamental sem que pelo menos houvesse boa construção da personagem, a termo de justificar qualquer choque), sua presença mais firme nos momentos finais da graphic novel trazem mais perguntas do que respostas e pelo menos para mim, mesmo com muito boa vontade para subtender ou pescar símbolos narrativos do texto ou da arte, não consegui gostar dessa estrato da história. O ponto positivo é que saindo do conjunto de Debra, todo o restante da trama funciona, de ponta a ponta. Gosto bastante da risota do responsável com o mundo sobrenatural e ao mesmo tempo sua relação com a malícia do indivíduo, pleno de ideias fixas, muitas vezes ligadas a alguma coisa que ele não pode ter, e que certamente o levará à morte. Uma cruel proeza de Tex em um belíssimo deserto.

Tex: Painted Desert (Tex Romanzi a Fumetti #3) — Itália, fevereiro de 2016
Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Tex Graphic Novel n°3 (Editora Mythos, junho de 2017)
Roteiro: Mauro Boselli
Arte: Angelo Stano
52 páginas

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