O canto das ondas

Editora: Shockdom – Edição peculiar

Autores: Marco Rincione (roteiro) e Jessica Cioffi (arte e cor), com tradução de Nathália Bariani.

Preço: R$ 55,00

Número de páginas: 64

Data de lançamento: Dezembro de 2017

Sinopse

  1. A cidade italiana de Trieste fora abandonada pelos Estados Difusos. Lá, a jovem Cláudia vive em solidão junto ao seu sigilo: ela é capaz de escutar a voz dos peixes.

Dentre estes peixes está Asburgo, dos quais quina logo se transforma na única razão de viver da jovem.

Mas um malfeitor está eliminando os TIMEDs da cidade e, de repente, Asburgo parece ter sumido no vazio… Sozinha, submersa nas vozes que só ela pode ouvir, Cláudia começa sua breve fuga.

Positivo/Negativo

Marco Rincione e Jessica Cioffi capricham no tom poético de O quina das ondas, terceiro álbum da série TIMED (os anteriores são Rio 2031 e Vidas de papel) da editora Shockdom, para narrar a história de Cláudia, uma TIMED jovem dos quais poder é ouvir a voz dos peixes. E eles, por sua vez, cantam as histórias que o mar recolheu.



O quina dos peixes é triste. Triste porque guarda histórias de amores proibidos, impedidos de vingar devido à intransigência da sociedade, que prefere exterminar o dissemelhante e usá-lo do jeito que exemplo de má conduta moral para os demais.

O peixe que mais fascina Cláudia é Asburgo, e seu quina sempre a leva ao Castelo de Miramare, para onde foge diariamente da família e da escola.

O quina de Asburgo evoca o paixão no coração de Cláudia, e eles sentem uma vontade incontrolável de ficarem juntos. Porém, quando aquele belo som cessa abruptamente, ela precisa saber o motivo, pois pode ser um vestígio de que sua vida esteja chegando ao termo.

A trama de O quina das ondas se passa antes das dos álbuns anteriores, no ano de 2030, quando os Estados Difusos decidiram desabitar a cidade de Trieste à própria sorte.

Isto provoca uma vaga de ódio em alguns habitantes, dando margem para a formação de um grupo neonazista que objetiva massacrar todos os diferentes, dentre eles estrangeiros e “aberrações” TIMEDs.

Rincione foi bastante atual ao linkar as minorias (estrangeiros, homossexuais e TIMEDs) para fazer o leitor refletir sobre do jeito que a intolerância se alimenta do susto do dissemelhante para propagar um oração de ódio erosivo que, no fundo, encobre uma sede por poder. Ou melhor, sobre quem se debruça o poder de julgar e deliberar o que é visível/normal.

Já o traço frágil da Cioffi está em perfeita sintonia com a paleta em tom pastel, deixando os desenhos desbotados e “sem vida”, para expressar a tristeza de Cláudia e de Trieste, uma cidade em luto pelo comportamento do seu povo.

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