Vidas de papel

Editora: Shockdom – Edição peculiar

Autores: Marco Rincione (roteiro) e Giulio Rincione (arte e cor), com tradução de Nathália Bariani.

Preço: R$ 55,00

Número de páginas: 64

Data de lançamento: Dezembro de 2017

Sinopse

O que é a vida real? A de Carl é feita de personagens inventadas. Bizarras criaturas falantes que parecem saídas de uma história em quadrinhos.

Carl é um TIMED dotado de uma superempatia, que o faz ser capaz de entrar em contato com as memórias dos outros e percebê-las de forma real.

Mas as lembranças, aquelas que atormentam Carl, o alcançaram até mesmo no lugar onde ele agora se esconde, nos confins extremos da Irlanda.

Positivo/Negativo

Ter um superpoder não é garantia de uma vida repleta de emoção e façanha. Pelo contrário, pode fomentar profunda dor e solidão. Principalmente quando se sabe que esse dom tem um prazo de validade e, ao se esvair, leva seu portador junto.

Se em Rio 2031, o primeiro álbum da série TIMED, da editora Shockdom, os TIMEDs tinham orgulho em ostentar seus poderes e lutarem em prol das diretrizes de um dos dois Estados Difusos (NewState ou TheNation), no segundo álbum da série isso será questionado.



Em Vidas de Papel, os irmãos Rincione apresentam Carl, um irlandês pacato que pira ao desenredar ter a capacidade de haurir a vida mental dos seus interlocutores, vendo seus pensamentos, sentimentos e lembranças.

Tudo fica pulsando em sua cabeça e ele entende que o tal superpoder é na verdade uma doença. Por isso, Carl foge desesperadoramente de vivenda, abandonando a esposa Molly, para um autoexílio nas Montanhas Wicklow.

Se por um lado o contato com outros humanos lhe proporciona desconforto, devido ao tormento de tantas vozes barulhentas, o silêncio em remanescente está quase o levando à loucura.

Após anos de extrema solidão (ele só tem breves contatos com Ralph, funcionário do Parque Nacional das Montanhas Wicklow, que lhe envia mantimentos de tempos em tempos), Carl passa a riscar personagens e, ao recortá-los, faz com que ganhem vida. Assim, tem a companhia da cozinheira Daria, do jovem Brad e de um recém-chegado sem nome, os quais faz desvanecer sempre que tem vontade.

Em 2035, a situação estava sob controle, até um ilustração de Molly (não feito por ele) escadeirar à sua porta. O incidente faz com que Carl questione o limite entre sonho e verdade, mas também o força a encarar suas ações e lutar contra o pânico. O pânico de ser quem ele é, e de morrer sem o perdão da esposa.

Marco Rincione entrega um drama minimalista muito construído e tocante, utilizando com mestria o recurso da metanarrativa. Enquanto a arte expressionista e as cores de seu irmão Giulio reforçam o dilema de Carl, na metáfora do contraste entre pesadas noites chuvosas e amenos dias ensolarados.

Vidas de Papel comprova o óbvio de a leitura da série TIMED poder ser feita sem a obrigatoriedade de seguir a ordem de produção das HQs, pois cada álbum narra uma história autoconclusiva.

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